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DEMOCRACIA SOB ATAQUE: CRIME, MEDO E POLÍTICA NO CICLO ELEITORAL BRASILEIRO DE 2026 (PARTE 1)

Introdução

Em outubro de 2026, o Brasil vai às urnas para eleger um presidente e governadores estaduais, além de renovar integralmente a Câmara dos Deputados, composta por 513 cadeiras, e disputar dois terços (54) das cadeiras do Senado Federal. A segurança pública tem sido um tema presente nas eleições brasileiras há décadas — e domina o discurso desde pelo menos 2018 —, mas este ciclo eleitoral apresenta uma mudança sem precedentes: as pesquisas mostram consistentemente que ela supera a economia como a principal preocupação dos eleitores, impulsionada pela entrada direta do crime organizado na política eleitoral, pela violência física contra candidatos e pela desinformação gerada por inteligência artificial . Nenhuma dessas forças existe isoladamente; o medo da criminalidade alimenta políticas de segurança linha-dura, mas essas políticas não impedem que facções criminosas se infiltrem no Estado — uma dinâmica que, combinada com a violência física e a desinformação instrumentalizada, ameaça diretamente a integridade das eleições. Como primeira parte de uma série em dois artigos que traçam essa cadeia, esta publicação aborda a "bukelização" da política de segurança brasileira e a infiltração do crime organizado na política eleitoral, enquanto a Parte 2 examina a violência física, a desinformação por meio da inteligência artificial e o extremismo político.

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