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MAIS UM TIRO DENTRO DE ESCOLA TERMINA COM ALUNO MORTO EM SÃO PAULO

Na segunda-feira (23/10), um adolescente de 16 anos matou a tiros um colega de classe e feriu outros dois na Escola Estadual Sapopemba, no Jardim Sapopemba (zona leste de São Paulo). Este é o segundo caso registrado na capital paulista só neste ano, um entre muitos que foram notificados ao longo de 2023. Este já é o ano com maior número de casos de ataques em escolas já registrados no Brasil.

O ataque e a motivação

O atirador, um estudante do 1º ano do ensino médio, entrou na escola por volta das 7h30, disparou vários tiros e foi detido pela Polícia Militar após a ação.

As motivações ainda estão sendo investigadas. Segundo o advogado que representa o atirador, o adolescente diz que agiu na tentativa de resolver o bullying e a homofobia que sofreu.

As agressões teriam aumentado a partir do momento em que a adolescente passou a usar roupas femininas. Em abril, diz ele, a mãe do atirador registrou boletim de ocorrência sobre ataques sofridos em outra escola.

A arma

O estudante que cometeu os ataques teria pegou a arma de fogo da casa do pai, sem o seu conhecimento. Na delegacia de Policia, o aluno afirmou que aprendeu a usar armas no YouTube. A arma estava registrada e em bom estado, segundo a polícia.

Outros Ataques

No dia 27 de março deste ano, um professor de 71 anos morreu e quatro pessoas ficaram feridas após serem atacadas com uma faca por uma aluna do oitavo ano da Escola Estadual Thomazia Montoro, na Zona Oeste de São Paulo.

No dia 10 de março, um ataque à Escola Profissional Dom Bosco, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, deixou um estudante de 14 anos morto e outros três feridos. O ataque foi perpetrado por um ex-aluno da escola, que utilizou uma faca na ação.

Na manhã de 5 de abril, um homem de 25 anos invadiu a creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau (SC), e matou quatro crianças.

Em junho 19, um ataque armado ao Colégio Estadual Professora Helena Kolody, em Cambé, no norte do Paraná, resultou na morte de dois estudantes - um casal de adolescentes. O agressor era um ex-aluno de 21 anos.

Em outubro 18, briga entre alunos de uma escola estadual de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, terminou com uma pessoa ferida e o pai de um deles preso. Isso porque o responsável por um dos alunos sacou uma arma para defender o filho e atirou no chão, mas o tiro ricocheteou e atingiu o ombro da vítima.

Discord

A polícia também apurou que o estudante mantinha conversas no aplicativo Discord, nas quais menciona sua intenção de cometer o ataque. Plataformas como o Discord tornaram-se um espaço de planejamento e debate de ideias extremistas, com denúncias de abusos sexuais e agressões envolvendo jovens. Por isso, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que mais pessoas possam ter participado indiretamente do ataque.

Outros riscos: racismo e roubos

Além dos atos de violência física nas escolas relatados, surgiram também alguns casos de racismo, além de assaltos em frente às escolas, atingindo alunos, pais e professores.

A mãe de uma aluna da escola particular Ábaco, localizada na região de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, acusa a instituição de inação diante dos episódios de racismo sofridos por seu filho adolescente. Em 12 de outubro, a mãe registrou boletim de ocorrência informando que, durante a aula, outro aluno apontou para a figura de um macaco e disse que era seu colega de classe. Em outro momento, o agressor teria chamado o adolescente de “escravo” e “negro adotado”. A mãe também relatou à polícia que a escola nada fez em resposta aos incidentes.

Em todo o país, muitos casos de assaltos em frente a instituições de ensino são relatados diariamente. Os criminosos normalmente estão armados, vêm em motocicletas e são rápidos em retomar o ataque. Eles conhecem os horários de chegada e saída dos alunos, período em que todos estão expostos, e aguardam descuidos ou cenários favoráveis ​​para agir.

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