O cenário político brasileiro continua estável, porém turbulento, à medida que as eleições de 2026 se aproximam. O presidente Lula mantém uma sólida vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro na última pesquisa do Datafolha, tanto nas intenções de voto para o primeiro turno quanto em um segundo turno simulado. Apesar dessa estabilidade, os índices de aprovação do governo Lula permanecem praticamente inalterados, com as avaliações negativas ainda superando as positivas, mesmo com a importante vitória legislativa no Congresso, com a aprovação pela Câmara dos Deputados da medida que encerra o regime de trabalho 6x1. Para agravar a turbulência política, Jacques Wagner, líder da bancada governista no Senado, tornou-se alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, enfrentando acusações de aceitar benefícios indevidos em troca da defesa dos interesses do Banco Master no Congresso. Enquanto isso, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de quatro anos de prisão por tentativa de intimidação do Judiciário brasileiro, sentença que o torna inelegível para ocupar cargos públicos por muitos anos.
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Nova pesquisa eleitoral
O presidente Lula (PT) manteve a liderança no cenário eleitoral mais provável para o primeiro turno e agora registra 41% das intenções de voto, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo nova pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (20/06). A pesquisa sugere que a campanha do senador permanece estagnada em meio às consequências políticas do caso “Dark Horse”. Na pesquisa anterior, realizada após a divulgação de informações de que Flávio Bolsonaro teria pedido apoio financeiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula registrava 40%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A estabilidade também é evidente no cenário simulado de segundo turno, onde ambos os candidatos repetiram os números registrados um mês antes: 47% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro. Nesta última pesquisa, votos em branco e nulos representam 8% dos entrevistados, enquanto 1% permanece indeciso.
Avaliação governamental
O governo do presidente Lula (PT) é visto negativamente por 38% dos eleitores brasileiros, enquanto 32% o avaliam positivamente e 29% o consideram mediano, segundo nova pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (20/06). Os resultados indicam estabilidade em comparação com a pesquisa anterior, que já havia mostrado sinais de melhora nos índices de aprovação do governo. Naquela pesquisa anterior, realizada no final de maio, 38% avaliavam o governo negativamente, 32% positivamente e 28% como mediano. Para a pesquisa mais recente, o Datafolha entrevistou 2,004 eleitores presencialmente nos dias 17 e 18 de junho em locais de grande circulação de pedestres. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Desde a pesquisa anterior, a Câmara dos Deputados aprovou a emenda constitucional que visa acabar com o regime de trabalho 6x1, uma das principais iniciativas eleitorais do governo, embora a proposta continue travada no Senado. Em âmbito internacional, o governo de Donald Trump propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e designou formalmente as facções criminosas do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Líder do Governo no Senado
O senador Jacques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado Federal, está entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, lançada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (18/06). Segundo os investigadores, Wagner teria atuado no Congresso para defender os interesses do Banco Master e, em troca, recebido benefícios indevidos, incluindo um apartamento de luxo em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2.5 milhões e transferências financeiras para empresas ligadas a membros de sua família. A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça, ligado ao Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Eduardo bolsonaro
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, na terça-feira (16/06), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação em processo judicial, relacionado a atos praticados nos Estados Unidos que foram considerados uma tentativa de intimidar o Judiciário brasileiro e interferir no inquérito do suposto caso de conspiração golpista. Com a condenação, o ex-deputado fica impedido de concorrer a cargos públicos, de acordo com a Lei da Antecedentes Criminais, e ficará inelegível para concorrer a cargos eletivos por até oito anos. Ele também foi condenado a pagar uma multa de aproximadamente R$ 150,000 mil e perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual já está suspenso. A decisão ainda pode ser recorrida.
Análise:
Os últimos acontecimentos sugerem que o ambiente político brasileiro permanece relativamente estável em termos eleitorais, mas cada vez mais volátil em termos institucionais e jurídicos. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro tem se mantido consistente nas pesquisas recentes, indicando que a oposição tem tido dificuldades em converter a insatisfação com o governo em impulso eleitoral. A persistência de avaliações negativas em relação às positivas demonstra que Lula ainda apresenta vulnerabilidades políticas significativas, mas a oposição não conseguiu explorá-las plenamente. A controvérsia em torno do caso “Dark Horse” parece ter limitado o crescimento recente de Flávio Bolsonaro.
Os processos judiciais envolvendo o senador Jacques Wagner e Eduardo Bolsonaro reforçam ainda mais a crescente judicialização da política brasileira. Caso as acusações contra Wagner avancem, o governo poderá enfrentar pressão política adicional no Congresso, em um momento em que o apoio no Senado já é frágil. Do lado da oposição, a condenação de Eduardo Bolsonaro representa um revés significativo para uma das figuras mais influentes do movimento político de Bolsonaro e pode concentrar ainda mais as responsabilidades de liderança em torno de Flávio Bolsonaro.
Fontes: A Folha de SP [ 1 ], [ 2 ], [ 3 ], [ 4 ], [ 5 ]; G1 [ 1 ], [ 2 ]; O Globo.



