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Apesar da forte pressão política de integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e até de representantes da indústria e de outros setores da economia nacional, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros brasileira (Selic) em 13.75% ao ano. Devido a esta decisão, Brasil segue liderando o ranking mundial de juros reais.
Sem sinais de alívio
A decisão foi anunciada na quarta-feira (22/03), e não surpreendeu os analistas de mercado. No entanto, o autoridades não deram sinais de que pretendem antecipar o corte de juros no futuro, e chegaram a dizer que podem eventualmente elevar novamente a Selic se o processo de desinflação não ocorrer como esperado. Isso trouxe preocupação ao mercado, que esperava sinais de melhora no futuro.
Razões
Entre os motivos para manter a taxa atual, o Banco Central citou as expectativas de inflação do mercado, que têm se afastado das metas definidas. Nas últimas projeções divulgadas, a estimativa para 2024 – principal meta das projeções – subiu de 4.02% para 4.11%, bem longe da meta do BC (3%).
A autoridade monetária também chamou a atenção para a incerteza sobre a nova regra fiscal e seu impacto na dívida pública, mas elogiou a reimplementação parcial dos impostos sobre os combustíveis, o que teria trazido mais estabilidade. Por fim, o BC cita as condições adversas do sistema financeiro internacional, referindo-se à crise bancária no exterior, e à desaceleração da concessão de crédito no Brasil, como fatores que podem contar a favor de um alívio nas taxas de juros.
Críticos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), considerou o anúncio “muito preocupante”. Entre os empresários, o sinal de que a Selic permanecerá no patamar atual na próxima reunião levantou um alerta. Sindicatos, alguns ligados ao atual governo, também criticou a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13.75% ao ano.
Protesto
Na terça-feira (21/03), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), o Poder Sindical (Força Sindical), o Sindicato dos Comerciários de São Paulo protestou em frente ao prédio do BC em São Paulo, na Avenida Paulista. Eles são contra a política monetária do Banco Central. Os manifestantes pediram a renúncia de Roberto Campos Neto. Ele é visto como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, portanto, parte da oposição. Os sindicatos e até o governo afirmam que ele age contra o atual governo.
Pressão para desistir
A decisão do Copom foi contra Lula, acelerando uma estratégia que vinha sendo planejada como defesa por setores do PT: pressionar pela saída de Campos Neto. Como o presidente do BC tem autonomia, e um mandato pré-determinado de quatro anos, que termina em 2024, em tese, o governo só poderia esperar a saída de Neto, coisa que ele já informou que não fará. Assim, neste momento, só resta uma alternativa, sua exoneração pelo Senado Federal.
Caso Campos Neto tenha desempenho insuficiente para atingir os objetivos do BC, pode ser demitido por decisão do presidente da República, mas a decisão precisa da aprovação do Senado Federal.
Sem apoio no Senado
Mesmo com pressão do presidente Lula, senadores descartam ofensiva contra Neto e exigem que o governo envie novo quadro fiscal para reduzir juros.



