A Câmara dos Deputados retomará os trabalhos na segunda-feira (12/08), após o recesso, com as negociações do segundo projeto de lei que regulamenta a reforma tributária. No Senado, a expectativa é que a Comissão de Constituição e Justiça vote na quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição da Anistia (PEC), que isenta os partidos do pagamento de multas por não cumprimento das cotas de verbas destinadas a candidatas negras e candidatas em eleições anteriores.
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Regulamento da Reforma Tributária
Este projeto de lei, que trata das alterações ao regime fiscal, centra-se no funcionamento da comissão gestora do novo Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, que substituirá os atuais ICMS e ISS. O primeiro projeto foi aprovado pela Câmara em julho e aguarda análise no Senado.
A sucessão de Lira
Com a volta dos trabalhos legislativos e a retomada das discussões sobre a sucessão na Câmara o presidente da Câmara Arthur Lira (PP), terá que fazer novos gestos aos grupos ruralistas e evangélicos. Os dois grupos são considerados essenciais para apoiar o desejo de Lira de criar um consenso em torno de um único candidato.
Lira disse a aliados que decidirá ainda este mês quem será o candidato do seu grupo político. Os aliados mais próximos de Lira fazem o possível para evitar possíveis cisões e querem que os nomes que foram esquecidos fiquem do lado de quem for escolhido. O Palácio do Planalto, por sua vez, ainda observa as negociações à distância e quer evitar possíveis retrocessos na agenda da Câmara, que tem projetos importantes pela frente neste semestre.
Lei Antidrogas
Um tema importante para o grupo evangélico é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que inclui na Constituição a criminalização do porte de drogas, independentemente da quantidade—membros dos grupos evangélicos e ruralistas querem que o tema seja votado no segundo semestre. O texto foi aprovado pelo Senado em abril, em confronto direto com o Supremo Tribunal Federal (STF), que julgava a matéria.
Bancada Ruralista
Parte da lista de prioridades da bancada ruralista para este semestre ainda tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e refere-se às ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Um dos projetos cria uma lista de pessoas envolvidas em ocupações de imóveis públicos ou privados, o chamado “Cadastro de Invasores”. Outra proposta permite que, em casos de invasão coletiva, o proprietário do imóvel possa usar a força para retirar os invasores do local no prazo de um ano e um dia após o ato, independentemente de ordem judicial vigente.
PEC da Anistia
A proposta retira punições aos partidos que não cumpriram a cota de recursos públicos para candidatos com base em raça e gênero. O texto também já não responsabiliza as partes por falhas nos seus relatórios financeiros. Pelo texto, os partidos aplicarão 30% dos recursos em candidatos negros. Atualmente, existe a obrigação, imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral, de dividir os recursos proporcionalmente de acordo com o número de candidatos brancos e negros – em 2022, cerca de metade dos candidatos eram negros.
Análise:
A retomada do trabalho legislativo na Câmara dos Deputados e no Senado do Brasil deverá ter repercussões significativas no cenário político do país. A pressão para regulamentar a reforma fiscal poderia racionalizar a governação económica, mas também poderia desencadear tensões entre os governos federal e estadual sobre a distribuição de receitas. A PEC da Amnistia, se aprovada, poderá minar os esforços para impor a igualdade racial e de género na política, minando potencialmente a confiança do público no sistema eleitoral.
Além disso, as manobras políticas de Arthur Lira, particularmente o seu alinhamento com bancadas ruralistas e evangélicas, poderiam moldar as prioridades legislativas de forma a reforçar políticas conservadoras, particularmente em torno dos direitos à terra e da criminalização das drogas. Isto poderia intensificar os conflitos sociais e aprofundar a polarização, especialmente no que diz respeito à reforma agrária e à segurança pública.
As próximas semanas serão críticas para determinar se estes esforços legislativos irão consolidar ou desestabilizar as estruturas de governação do Brasil, à medida que o governo navega nestas questões controversas em meio a mudanças nas alianças políticas.



