O calendário político e legislativo do Brasil entra em uma longa pausa, com o Congresso entrando em recesso sem votar diversas medidas prioritárias, incluindo a Comissão Eleitoral de Segurança Pública (PEC) , a reforma da jornada de trabalho 6x1 e a confirmação de um ministro do Supremo Tribunal Federal — com poucas perspectivas de grandes ações legislativas antes das eleições. No cenário eleitoral, a última pesquisa BTG/Nexus mostra a corrida presidencial praticamente estável, com Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico em um segundo turno simulado, com 47% para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro . A disputa comercial com os Estados Unidos chega a um momento crítico, com a aproximação do prazo de 15 de julho para Washington decidir se implementará as tarifas de 25% propostas para produtos brasileiros. O governo Lula se prepara para a confirmação das medidas, ao mesmo tempo que espera uma lista ampliada de isenções . Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta novas turbulências depois que o senador leu publicamente uma carta de seu pai preso, o que motivou uma ação judicial buscando revogar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro — o mais recente de uma série de reveses para uma candidatura já enfraquecida por divisões internas dentro do movimento bolsistarista.
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Sem sessão
A sessão do Congresso Nacional marcada para quinta-feira (09/07) para votação dos vetos presidenciais foi cancelada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), atribuiu a decisão à falta de consenso. Como resultado, não se espera que o Legislativo vote outras medidas importantes antes do recesso parlamentar, que começa na próxima semana e vai até 31 de julho — e muito provavelmente não antes das eleições. O período eleitoral oficial começa em 13 de agosto. Durante o período eleitoral, a Câmara dos Deputados e o Senado se reunirão apenas durante algumas semanas legislativas concentradas e não devem analisar grandes propostas. Consequentemente, o Congresso entrará em recesso sem votar em diversas questões prioritárias, incluindo a PEC de Segurança Pública (Proposta de Emenda Constitucional), a PEC para acabar com o regime de trabalho 6x1, o projeto de lei que regulamenta a mineração de terras raras, o projeto de lei que permite o uso do excedente da receita do petróleo para reduzir os impostos sobre combustíveis e a confirmação do ministro indicado para substituir Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) após a rejeição da indicação de Jorge Messias.
Nova pesquisa eleitoral
Uma nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (13/07) indica uma corrida presidencial estável. Em um cenário de segundo turno simulado, o presidente Lula (PT) recebe 47% das intenções de voto, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), configurando um empate técnico entre os candidatos. Os números permanecem inalterados em relação à pesquisa anterior, realizada no final de junho. A pesquisa foi conduzida por telefone entre os dias 10 e 12 de julho, entrevistando 2,003 eleitores com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. No cenário de primeiro turno, o apoio a Lula caiu de 42% para 40%, uma variação dentro da margem de erro, enquanto Flávio Bolsonaro se manteve estável em 34%.
Tarifas
O governo brasileiro aguardará o escopo final da decisão dos Estados Unidos sobre as tarifas propostas de 25% e 12.5% sobre as exportações brasileiras antes de definir sua resposta à administração de Donald Trump. O prazo da Casa Branca para decidir sobre a implementação das novas medidas expira nesta quarta-feira (15/07). Em 1º de junho, o governo Trump propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial envolvendo questões como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamento PIX. No dia seguinte, anunciou uma tarifa adicional de 12.5% sobre importações de 60 países, incluindo o Brasil, alegando deficiências nos esforços para combater o trabalho forçado. O governo do presidente Lula (PT) trabalha com a premissa de que as novas tarifas provavelmente serão confirmadas. No entanto, negociadores brasileiros acreditam que o governo americano poderá emitir um anexo revisado à decisão sobre a tarifa de 25%, potencialmente ampliando a lista de produtos isentos da medida comercial mais abrangente.
Flávio Bolsonaro
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) entrou com uma petição junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua transferência para um regime de prisão fechada. A petição alega que Bolsonaro violou as restrições impostas pela justiça ao escrever uma carta que foi posteriormente lida publicamente por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência. A petição também solicita que Flávio Bolsonaro seja multado em R$ 100,000 mil pelo que descreve como um ato que atenta contra a dignidade do sistema judiciário. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o ano passado, após sua condenação por liderar uma conspiração golpista relacionada às eleições presidenciais de 2022, e permanece sujeito a restrições, incluindo a proibição de se comunicar por meio de redes sociais. No mais recente desdobramento que afeta a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro — já fragilizada por divisões internas no movimento bolsistarista —, o senador leu publicamente a carta de seu pai no dia 11. Na mensagem, o ex-presidente se referiu a Flávio como seu “porta-voz” e pediu apoio para sua candidatura à presidência. A carta não fez menção à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com quem Flávio trocou críticas públicas nas últimas semanas.
Análise:
O cenário político brasileiro está entrando em um período no qual a dinâmica eleitoral molda cada vez mais a tomada de decisões institucionais. Com o Congresso entrando em recesso e o período oficial de campanha se aproximando, espera-se uma queda na produtividade legislativa, à medida que os parlamentares priorizam agendas políticas regionais e atividades de campanha em detrimento de reformas nacionais complexas.
A estabilidade observada nas últimas pesquisas eleitorais presidenciais indica que a eleição permanece altamente competitiva, apesar das recentes controvérsias políticas. Embora nenhum dos candidatos tenha alterado substancialmente o equilíbrio eleitoral, os desdobramentos externos — particularmente a decisão pendente dos EUA sobre as tarifas — têm o potencial de influenciar a campanha, introduzindo questões econômicas no debate político. Medidas comerciais que afetam as exportações brasileiras podem gerar discussões mais amplas sobre gestão econômica, política externa e soberania nacional, enquanto a resposta do governo provavelmente buscará equilibrar as negociações diplomáticas com as considerações políticas internas.
Fontes: O Globo [ 1 ], [ 2 ], [ 3 ], [ 4 ], [ 5 ], [ 6 ]; G1 [ 1 ], [ 2 ], [ 3 ]; A Folha de SP.



