O número de Roubos registrados de janeiro a agosto de 2025 caíram 14.7% no estado de São Paulo e 13% na capital, segundo estatísticas divulgadas nesta terça-feira (30/09) pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Isso representa a queda mais significativa nos indicadores de roubo no período de mais de duas décadas e reflete o impacto contínuo das estratégias policiais direcionadas e do uso expandido de tecnologias de vigilância. No entanto, durante o mesmo período, a número de homicídios na capital aumentou 10%, passando de 318 assassinatos entre janeiro e agosto do ano passado para 350 este ano. Apesar deste aumento, o mês de agosto registou um declínio nos homicídios — de 48 para 36 mortes, sugerindo que a situação, embora preocupante, pode estar mostrando os primeiros sinais de estabilização.
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Homicídios no Estado
Em todo o estado, homicídios permaneceram praticamente estáveis: 1,690 assassinatos foram registrados de janeiro a agosto deste ano, três a menos que no mesmo período de 2024. Esses números não incluem mortes decorrentes de intervenções policiais, roubos seguidos de morte ou lesões corporais que levaram à morte (casos em que não foi comprovada a intenção de matar). Houve 194 vítimas de homicídio em agosto em todo o estado — 11 a menos que há um ano e o menor número para o mês de agosto na série histórica, iniciada em 2001.
Concentração na Capital
O aumento de homicídios neste ano se concentra nas periferias da capital. O processo de jurisdição da 6ª Delegacia Seccional da cidade, na Zona Sul, registrou aumento de 53 para 93 homicídios entre janeiro e agosto de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os casos registrados, estavam os 15 restos mortais encontrados em um cemitério clandestino no Jardim Apurá. centro da cidade (1ª Delegacia Seccional), houve mais dez mortes de janeiro a agosto (de 31 para 41 vítimas). Na média municipal, esses aumentos foram compensados por quedas nos homicídios na região centro-sul (entre Vila Mariana e Americanópolis, área da 2ª DP) e na Zona Leste (nas áreas da 7ª e 8ª DP, houve quedas de 6% e 9%, respectivamente).
Roubos
Tanto no estado quanto na cidade de São Paulo, roubos atingem o menor número para o mês nos últimos 24 anos. Em todo o estado, 13,200 casos foram registrados em agosto, o que representa uma redução de quase 13% em relação a agosto do ano passado. No acumulado do ano, a redução nos roubos chegou a 14.7%. Na capital, comparando o período de janeiro a agosto, houve queda de 13% nos registros de roubos desde 2024— totalizando 68,200 ocorrências em oito meses. Houve 8,300 roubos na cidade no mês passado, 596 a menos (uma redução de 6.6%) em comparação a agosto de 2024.
Roubos
Os roubos reportados, no entanto, não seguiram a mesma tendência de queda. Um total de 277,000 casos foram registrados em todo o estado ao longo de oito mesesNo mesmo período do ano passado, houve 2,689 roubos a menos (uma diferença de 1%). Esse aumento se concentrou nos meses de janeiro, março, abril e maio deste ano. Em agosto, houve 1,262 furtos registrados a menos em relação ao ano passadoNa capital, os furtos aumentaram 4.7% de janeiro a agosto, atingindo 166,800 mil ocorrências. Em agosto, foram registrados 22,000 mil furtos na cidade, 1,786 a mais que em agosto de 2024.
Estupros
Também tinha aumento no número de estupros registrados tanto no estado quanto na capital. De De janeiro a agosto, foram registrados 9,639 casos— 119 a mais que no mesmo período do ano passado. Só na capital, foram notificados 1,948 casos, 12 a mais que em 2024.
Análise:
Os dados mais recentes da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo revelam um claro contraste na dinâmica recente da criminalidade. Embora os roubos tenham caído significativamente, atingindo o menor nível em mais de duas décadas, houve um aumento nos furtos, especialmente de celulares. Essa mudança reflete uma mudança no comportamento criminoso: à medida que as estratégias policiais e as tecnologias de vigilância tornam os assaltos à mão armada mais arriscados, muitos criminosos estão recorrendo ao roubo não violento, que reduz as chances de confronto ou prisão.
A tendência também demonstra uma economia criminosa em evolução, ligada à fraude digital. Smartphones roubados podem ser usados não apenas para revenda, mas também para acessar aplicativos bancários e dados pessoais, permitindo que criminosos apliquem golpes ou realizem transações financeiras não autorizadas.
O aumento dos homicídios em São Paulo, especialmente na periferia da capital, sugere um aumento localizado da violência letal, ligado a disputas territoriais, crime organizado e vulnerabilidade social. Embora o número total de homicídios no estado permaneça estável, o forte crescimento em áreas específicas — como a Zona Sul e partes do centro da cidade — indica condições de segurança desiguais.
Fonte: Folha de S.Paulo



