Página inicialBRASILAmazonDESASTRES NO BRASIL: SECA NO NORTE E INUNDAÇÕES NO SUL

DESASTRES NO BRASIL: SECA NO NORTE E INUNDAÇÕES NO SUL

Fenômenos climáticos extremos têm causado desastres no Norte e no Sul do Brasil, com mortes, deslocamento de famílias, destruição de propriedades diversas, interrupção de atividades econômicas e obstrução de rodovias, ruas, aeroportos, hidrovias e outras rotas logísticas. No Norte, uma seca extrema causada pelo El Niño levou à redução do nível dos rios para um nível historicamente baixo. No Sul, observou-se o cenário oposto, com fortes chuvas provocando inundações, deslizamentos de terra e muito mais.

Seca na Região Norte

Para especialistas em clima, a recente seca que atinge a Amazônia pode causar a pior situação de toda a história da região, estendendo o período seco até o ano de 2024. A previsão foi divulgada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O Madeira, importante rio de transporte de passageiros e cargas que se estende de Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM), foi um dos mais afetados. Os baixos níveis deste rio provocaram a interrupção dos transportes em geral, e até dificultaram a produção de energia. Mas este não foi o único, vários grandes rios atingiram níveis muito baixos, tais como: os rios Solimões, Negro, Juruá, Purus também se tornaram desertos em algumas partes, levando à escassez de alimentos e água em algumas comunidades e dificuldades para as pessoas se locomoverem. ao redor da área.

As hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio foram construídas nas águas do Rio Madeira rio. Juntas, as duas plantas representam 6.7% da potência instalada do sistema elétrico interligado. No dia 2 de outubro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou a suspensão da operação da hidrelétrica Santo Antônio devido à estiagem, pois a usina não possui reservatório. O Comitê de Acompanhamento do Setor Elétrico (CMSE) reconheceu que a crise na bacia do Rio Madeira pode comprometer o atendimento aos estados do Acre e Rondônia. Além disso, o rio também é fonte de biodiversidade, alimento e trabalho, daí essas três frentes em que a sociedade regional pode ser afetada negativamente.

Chuvas fortes no Sul

Fortes chuvas atingem Santa Catarina há mais de uma semana, causando pelo menos duas mortes e incidentes em 93 cidades do estado. Devido ao grande volume de chuvas, O governador Jorginho Mello determinou o fechamento das barragens de Ituporanga e José Boiteux no sábado. No entanto, isso também levou a um conflito social. Uma comunidade indígena que possui território no entorno das barragens protestou e tentou impedir o fechamento das barragens para evitar a inundação de suas terras e a destruição de edifícios que pertencem à sua comunidade. A polícia interveio e houve confrontos.

Pelo menos dez rodovias em todo o estado foram parcial ou totalmente fechadas devido ao rompimento de outras barragens e à erosão de pistas.

Algumas semanas antes, no início de setembro, o Rio Grande do Sul viveu cenário semelhante após a passagem de um ciclone extratropical. Pelo menos 49 pessoas morreram, várias outras desapareceram, mais de 900 pessoas ficaram feridas e mais de 100 cidades registaram danos e perturbações com as chuvas causadas pela passagem do ciclone.

Agora, no início de outubro, outra crise climática surgiu no Rio Grande do Sul com grande aumento do nível do rio Uruguai. A Defesa Civil do Estado enviou alertas para Barra do Guarita, Iraí e Porto Mauá, cidades que já estão sendo afetadas, neste momento. No entanto, outras localidades ao longo do rio Uruguai, nas regiões do Alto, Médio e Baixo Uruguai podem ser atingidas pelas enchentes.

El Niño: correntes de ar e chuvas fortes

Especialistas explicam que O fenômeno El Niño provoca, ao mesmo tempo, redução significativa das chuvas no Norte e no Nordeste, e aumento das chuvas na região Sul. Assim, até o momento está dentro dos parâmetros normais, embora possivelmente esteja evoluindo para o que se chama de “Super El Niño”, já observado entre 2015 e 2016.

Mesmo antes do período em que o El Niño normalmente se manifesta, o país já testemunha eventos extremos ligados a este fenômeno. Os efeitos são a potencialização de chuvas e secas, ambas se tornam muito intensas.

Pesquisadores do clima relacionam esse efeito ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, o “cobertor” que protege o planeta — que é a atmosfera — fica mais denso. Assim, a energia que recebemos do sol é retida de forma maior, um fator que dá mais energia ao sistema climático e faz com que os eventos aconteçam com muito maior intensidade.

Falta de Preparação do Estado

Além disso, especialistas avaliam que as consequências observadas demonstram falta de preparo e antecipação por parte dos governos estaduais, municipais e federal, pois esta previsão já estava disponível há alguns meses. A esfera governamental poderia, portanto, ter se preparado fornecendo subsídios ou montando uma estrutura de apoio para que a população não sofresse tanto.

No caso da Amazônia, por exemplo, a falta de rodovias afeta diretamente a vida dos indivíduos, que dependem dos rios para navegar pela região — característica que os impede de receber água, alimentos, remédios, etc. Assim, o fenômeno tem implicações econômicas e sociais

incêndios no norte

Além das secas e das fortes chuvas, o clima na região Norte tem sido afetado por uma série de incêndios criminosos, principalmente no entorno da capital do Amazonas. Manaus vem sofrendo com centenas de incêndios, que, nesta quinta-feira (12/10), pelo segundo dia consecutivo, deixou a paisagem da cidade coberta de fumaça. A poluição afetou a qualidade do ar, que atingiu níveis muito prejudiciais à saúde.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam número recorde de focos de calor no Amazonas. Foram 2,684 inscrições nos primeiros dez dias de outubro só no estado, ante 1,503 em todo o mês do ano passado.

O aumento dos incêndios florestais levou o governo de Wilson Lima (União Brasil) a declarar, em setembro, emergência ambiental. A Polícia Federal (PF) investiga as ocorrências.

Fonte: G1 [1], [2]; exame; Folha de SP; balão.

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