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Na noite de segunda-feira (23/05), Ministério de Minas e Energia anuncia destituição de mais um presidente da Petrobras. Após 40 dias no cargo, José Mauro Ferreira Coelho foi afastado do cargo na maior empresa do país. Ele foi o terceiro presidente da estatal no atual governo. Os dois anteriores foram Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna. Além do presidente, alguns diretores da Petrobras também deverão ser substituídos.
O novo presidente
Para substituir José Mauro Coelho, o governo decidiu nomear Caio Mário Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia, onde ocupou o cargo de secretário. Andrade é formado em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduado em administração e gestão pela Universidade de Harvard e mestre em administração de empresas pela Duke University, nos Estados Unidos. Andrade foi anteriormente diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública de tecnologia da informação responsável, por exemplo, pela triagem de registros do auxílio emergencial. A indicação deverá ser aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras, no qual o governo tem maioria por ser o acionista majoritário da empresa.
A Luta do Governo para Conter os Preços dos Combustíveis
Os três presidentes destituídos da Petrobras foram vítimas do aumento progressivo dos preços dos combustíveis. O presidente Jair Bolsonaro tem exigido consecutivamente a contenção dos preços. O Presidente chegou a chamar o lucro da estatal, impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo no mercado internacional e pela valorização do dólar, de “estupro” e pressionou a empresa a não reajustar os preços. O dólar e o preço internacional do barril afetam o valor dos combustíveis e, consequentemente, o lucro da Petrobras devido ao padrão internacional de paridade de preços, adotado pela empresa durante o governo do presidente Michel Temer, em 2016.
A Missão de Andrade
Para comentaristas políticos, se for aprovado como presidente da Petrobras, Andrade terá a missão de mudar a política de preços da empresa. Segundo fontes da comunicação social, os membros do Governo informaram que Andrade não deveria alterar completamente a regra da paridade dos preços de importação, mas sim ajustar o sistema actual. O Governo espera ter aumentos, mas deverão ser concedidos por períodos mais longos – cerca de 100 dias –, pelo menos em momentos excepcionais, como o actual, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Para as autoridades centrais, a empresa também poderia absorver parte dos custos nestes períodos, reduzindo a sua rentabilidade.
Desafios
Para cumprir esta missão, o estatuto da empresa terá de ser alterado, porque, pelas regras atuais, quem “absorve os custos” é o Governo, e não a Petrobras. Porém, para alterar o estatuto, é necessária a troca dos dirigentes, que não aceitam tal medida. Além disso, se o Governo quiser manter os preços dos combustíveis por períodos mais longos, terá também que fazer outra alteração nas regras da empresa para que seja possível suspender a paridade dos preços de importação em momentos específicos.



