Na terça-feira (31/01), terminou a intervenção na segurança pública no Distrito Federal. Nesse período, a chefia das forças da capital foi renovada por suspeitas de não cumprimento do dever de prevenir o incidente e proteger os prédios da Praça dos Três Poderes. Agora, o governo federal tem o desafio de avançar com um novo projeto que pretende criar uma guarda nacional responsável por proteger todos os prédios da administração central na área visada. O objetivo é evitar que incidentes semelhantes aconteçam no futuro.
Este conteúdo é apenas para assinantes
Para desbloquear este conteúdo, assine Relatórios INTERLIRA.
A intervenção
A intervenção começou no final da tarde de 8 de janeiroth, quando secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, assumiu a pasta de Segurança do Distrito Federal. Ele foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para responder aos erros e omissões cometidos pelo governo do Distrito Federal em ataques às sedes dos três Poderes por vândalos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o período de intervenção, uma série de mudanças foram realizadas na chefia da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar do DF, com a prisão dos chefes de ambas as áreas. Anderson Torres foi o primeiro a ser afastado, ainda pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que também acabou afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Torres acabou sendo preso pela Polícia Federal em 14 de janeiro. Com a saída de Torres, Cappelli decidiu exonerar os dois assessores mais próximos do ex-secretário.
O comando da Polícia Militar (PM) também foi alterado durante o período de intervenção. O ex-chefe da PM Fábio Augusto Vieira foi preso pela PF e cinco de seus auxiliares foram demitidos.
guarda Nacional
Em decorrência dos atentados de 8 de janeiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, decidiu apresentar a Lula anteprojeto de proposta de emenda à Constituição (PEC) para a criação de uma guarda nacional responsável pela proteção dos prédios da administração federal no capital. Seria uma força federal vinculada ao Ministério da Justiça.
Para o governo, o Distrito Federal possui vários prédios do governo federal, que deveriam ser protegidos pela própria administração central ao invés de terem sua integridade protegida pelas equipes do governador da capital. Dessa forma, as instituições federais ficam mais suscetíveis às “flutuações” políticas.
Problemas de segurança observados
Ricardo Cappelli concluiu na final relatório de intervenção que Polícia Militar do DF não traçou plano operacional para 8 de janeiroapesar da diversas informações de inteligência que apontavam para o risco de invasão e depredação de prédios públicos.
Segundo o interventor, o ex-comandante da PM Fábio Augusto Vieira atuou diretamente durante os atos de 8 de janeiro, fazendo ligações e solicitando reforços no policiamento. Embora ele estava operando pessoalmente no campo, evidências indicam que o coronel perdeu a capacidade de liderar seus homens conforme seus pedidos pois os reforços não foram considerados nem atendidos.
Investigações, Investigações e Punições
Embora a intervenção tenha chegado ao fim, outras ações contra os manifestantes e financiadores do evento continuam sendo realizadas, e as autoridades prometem punir todos. Na quarta-feira (01/01), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, afirmou que os responsáveis pelos atos responderão pelos crimes cometidos. Moraes destacou que as punições atingirão os executores da invasão e depredação da sede dos três Poderes, seus instigadores e financiadores. A fala de Moraes aconteceu na sessão de abertura dos trabalhos da Justiça Eleitoral em 2023.
Sem Data para Retorno
No sábado (28/01), O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está de férias nos Estados Unidos e não tem data para voltar ao Brasil. Ele também procurou defender o pai, acusado por adversários políticos de ser o responsável pelos incidentes em Brasília. Flávio afirmou que sua permanência nos Estados Unidos não tem nada a ver com o medo de ser punido pelos ataques golpistas. Para o senador, se quiserem culpar o pai pelos ataques, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deve ser “responsável” porque já estava no comando do Executivo na época.
Pressão para extradição
No entanto, os senadores americanos acreditam que o ex-presidente Bolsonaro é o culpado pelos tumultos na capital brasileira. Nove senadores do Partido Democrata apresentaram, nesta quinta-feira (02/02), resolução ao Senado dos Estados Unidos na qual condenam os atos golpistas de 8 de janeiro e relacionam diretamente com a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento também inclui pedidos ao presidente Joe Biden de brevidade na cooperação das investigações realizadas pelas autoridades brasileiras sobre o episódio, que inclui “análises rápidas (…) de futuros pedidos de extradição de ex-altos funcionários brasileiros”.



