O Ministério da Justiça anunciou na segunda-feira (30/03) o lançamento de uma nova fase do programa Celular Seguro , com o objetivo de recuperar até um milhão de celulares roubados ou furtados em todo o país desde 2022. A iniciativa consiste na coleta de dados de aparelhos reportados como roubados ou furtados durante esse período, na criação de um banco de dados nacional e no envio de mensagens aos usuários atuais, instruindo-os a devolver os aparelhos a uma delegacia de polícia. Caso o aparelho não seja devolvido, o indivíduo que o possuir poderá ser processado por receptação. No entanto, aqueles que devolverem o aparelho voluntariamente não serão responsabilizados, visto que as autoridades reconhecem que o atual proprietário pode não ter tido conhecimento de que o celular era roubado.
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banco de dados
Segundo o Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o ministério solicitará boletins de ocorrência relacionados a furtos e roubos de celulares em todos os 26 estados e no Distrito Federal, abrangendo casos desde 2022. “Estimamos que cerca de cinco milhões de celulares foram furtados ou roubados em todo o país durante esse período. No entanto, nem todos os boletins contêm informações essenciais, como o número IMEI, que identifica cada aparelho de forma única. Portanto, acreditamos que será possível recuperar aproximadamente um milhão de aparelhos”, afirmou. Com base nesses boletins, o ministério criará um banco de dados nacional de aparelhos roubados. Mensagens de texto serão enviadas aos usuários, informando-os de que o aparelho consta como furtado ou roubado e instruindo-os a levá-lo a uma delegacia. A expectativa é que as mensagens comecem a ser enviadas a partir de maio.
O serviço será disponibilizado progressivamente.
O sistema funcionará diretamente sob a supervisão do Ministério da Justiça, sem a necessidade de adesão formal dos governos estaduais, e será implementado progressivamente. Segundo o ministério, 14 estados que já participam do Programa de Proteção do Ecossistema de Dispositivos Móveis (PPE) terão acesso imediato a recursos avançados, como a integração entre boletins de ocorrência e o bloqueio automático de dispositivos. Medidas adicionais também estão previstas, incluindo proteções financeiras, como a suspensão do acesso a serviços bancários online. Em outros estados, novas funcionalidades serão incorporadas por meio de acordos de cooperação técnica e integração com sistemas locais. A iniciativa também foi concebida para funcionar em conjunto com programas estaduais já existentes de combate ao roubo e furto de celulares, permitindo que os estados mantenham suas próprias estratégias enquanto se beneficiam de ferramentas de abrangência nacional.
Aplicativo em funcionamento desde 2023
Desenvolvido pelo Ministério da Justiça, o aplicativo Secure Cell Phone está em operação desde dezembro de 2023. Até o final do ano passado, a plataforma havia registrado quase 200,000 solicitações de bloqueio de aparelhos devido a roubo, furto, perda ou outros incidentes. O sistema de alertas do aplicativo permite que os usuários bloqueiem não apenas o próprio aparelho, mas também a linha telefônica associada e o acesso a aplicativos bancários e financeiros, reduzindo o risco de maiores danos.
Como usar um celular seguro
Para usar o aplicativo Celular Seguro, os usuários devem baixá-lo em dispositivos Android ou iPhone (iOS), fazer login com uma conta gov.br e cadastrar seu dispositivo, informando dados como número de telefone, operadora e marca, além de, opcionalmente, adicionar um contato de confiança. Para reportar furto, roubo ou perda, os usuários devem acessar a opção “Alerta de ocorrência”, selecionar o dispositivo relevante — o seu próprio ou o de uma pessoa de confiança —, inserir detalhes sobre o incidente, incluindo data, hora, tipo, estado e cidade, e confirmar o alerta.
Análise:
A nova fase do programa Celular Seguro, anunciada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, representa uma importante mudança rumo a uma abordagem mais preventiva e baseada em dados para combater um dos crimes urbanos mais disseminados do país. Ao consolidar boletins de ocorrência em um banco de dados nacional e utilizar identificadores como o número IMEI, a iniciativa busca desmantelar o mercado paralelo que sustenta o roubo de celulares em larga escala. Essa é uma medida crucial, visto que a lógica econômica desses crimes depende menos do ato de furto em si e mais da capacidade de revender rapidamente os aparelhos com rastreabilidade limitada. Se implementado de forma eficaz, o programa poderá aumentar a percepção de risco para compradores e intermediários, reduzindo, assim, os incentivos em toda a cadeia.
Fontes: Extra ; G1 ; Notícias da Banda.



