O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro na lista de investigados por incitar os ataques contra o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, que aconteceu em 8 de janeiro. O pedido para incluí-lo foi feito após procuradores entenderem que o ex-presidente é suspeito do crime após postar e deletar um vídeo questionando as eleições.
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The Video
No vídeo publicado —e posteriormente deletado— por Bolsonaro, um homem identificado como Dr. Felipe Gimenez ataca a segurança das urnas eletrônicas. A publicação traz ainda as frases “Lula não foi eleito pelo povo. Ele foi escolhido e eleito pelo STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.
Avaliação do Ministério Público
Segundo o documento que pedia a inclusão de Bolsonaro na investigação, ao longo dos últimos anos, o ex-presidente tem se comportado de forma convergente com amplas campanhas de desinformação envolvendo o funcionamento das instituições brasileiras e as eleições do país.
Além disso, os procuradores também afirmaram que Bolsonaro “ocupou o cargo mais alto do país”, tem “posição relevante nos canais de comunicação utilizados para disseminar desinformação” e contribuiu “para minar a confiança de grande parte da população em Integridade cívica brasileira”. Para eles, é nesse contexto que o vídeo deve ser interpretado.
Extradição?
Após os ataques em Brasília, congressistas americanos sugeriram a extradição do ex-presidente brasileiro, que está na Flórida desde dezembro. Segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, as chances de Bolsonaro ser forçado a voltar ao Brasil existem, mas um processo de extradição pode demorar muito. Outra possibilidade apontada é que o ex-presidente tenha seu visto de permanência nos Estados Unidos cassado, obrigando-o a voltar ao país para não permanecer ilegalmente.
Eles também pediram ao Departamento de Justiça que responsabilize quaisquer atores da Flórida que possam ter financiado ou apoiado os crimes violentos. de 8 de janeiro. Além disso, os parlamentares, todos do Partido Democrata, pedir ao FBI que investigue quaisquer ações que tenham sido tomadas em solo americano para organizar este ataque ao governo brasileiro. Os pedidos constam de uma carta, assinada por 46 congressistas americanos, enviada na noite desta quarta-feira (11/01) ao presidente Joe Biden.
Itália
Devido à origem italiana da família de Bolsonaro, seus adversários políticos começaram a especular que ele poderia ir para a Itália para escapar das investigações em andamento contra ele no Brasil. Caso ele tenha que sair de Orlando, este país europeu poderá ser uma alternativa para ele evitar a Justiça no Brasil. Depois que essa ideia ganhou espaço no debate público, um deputado italiano do partido Verdi e Esquerda, Angelo Bonelli, fez um discurso contra a possibilidade de Bolsonaro ser acolhido na Itália.
Nossa Análise
Conforme mencionado em edições anteriores, agora que Bolsonaro não ocupa um cargo político oficial, ele não tem direito a uma jurisdição privilegiada. Portanto, ele pode ser julgado e condenado por quaisquer crimes eventuais por um tribunal comum. Essa condição é vista por muitos analistas políticos como uma situação mais vulnerável. Jornalistas especulam que esse seja o motivo da viagem de Bolsonaro aos EUA, para fugir de investigações e condenações. Qualquer investigação que pode levar à condenação e prisão do ex-presidente é tema delicado. Se a base política de Bolsonaro se mantiver fiel, tal evento poderá estimular mais distúrbios à ordem pública e manifestações mais intensas do que as vistas logo após o fim das eleições.



