Durante a última semana, de 30 de abril a 6 de maio, o Governo Federal enfrentou algumas derrotas políticas, mas também viu o núcleo da sua oposição enfrentar investigações policiais. Na quarta-feira (03/05), a Câmara aprovou projeto de lei que derruba mudanças no saneamento, propostas pelo governo no início deste ano. Além disso, o projeto de lei que combate as Fake News (PL 2630), projeto elaborado por aliados de Lula, teve sua votação adiada após pressões feitas por Big Tech, grupos religiosos e políticos que apoiam o ex-presidente Bolsonaro.
Saneamento
Deputados Federais aprovaram projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba alterações feitas pelo governo federal no Marco do Saneamento isso teria dado melhores condições às Empresas Estatais de Saneamento Básico (Cesbs) frente ao setor privado e desencorajado os grupos privados a buscarem projetos públicos.
Falta de apoio no Congresso
A votação ocorre em meio à dificuldade do governo em consolidar uma base de apoio na Câmara dos Deputados. O resultado mostra que muitos deputados não estão satisfeitos com o governo e a mídia afirma que a derrota foi um recado para o governo federal aceitar suas reivindicações. A derrota do governo contou com o apoio quase total do MDB, União Brasil e PSD, partidos que juntos receberam de Lula um total de nove ministérios. A sessão de votação de quarta-feira também apresentou maioria de votos contra o Presidente do PP e dos Republicanos, partidos que ensaiam uma negociação com o governo, mas também estão insatisfeitos.
Segundo comentaristas políticos, o que definiu a derrota do governo foi a insatisfação dos partidos de centro e direita com a negociação de cargos e recursos. Para estes grupos políticos, o executivo tem sido bastante lento na execução das promessas feitas até agora.
Outra derrota
Na terça-feira (02/05), o adiamento da votação do projeto de lei das Fake News por falta de apoio necessário foi mais uma derrota do governo. Este projeto de lei que visa regular as redes sociais no Brasil gerou um confronto entre algumas das principais forças políticas, jurídicas, empresariais e religiosas do Brasil. De um lado, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e o Supremo Tribunal Federal (STF). Do lado oposto, a oposição política – apoiadores do ex-presidente Bolsonaro –, a maior parte dos deputados evangélicos e as grandes empresas de tecnologia.
Agrishow
Outro episódio negativo para o atual governo foi a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Agrishow, em Ribeirão Preto, SP. Bolsonaro aproveitou evento promovido pelo Governo de São Paulo para falar ao público. Este é o maior evento deste tipo no país e era esperada a participação do ministro da Agricultura, Carlos Favaro, na cerimónia de abertura. Porém, como Bolsonaro foi convidado, o ministro decidiu não ir. O agronegócio é visto como reduto de Bolsonaro e Lula tem enfrentado dificuldades para obter apoio deste setor.
Fraude em Certificados de Vacinas
Na quarta-feira (03/05), Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre suposta fraude no sistema de vacinação do Ministério da Saúde, mas ele não apareceu. Ele foi alvo de uma operação de busca e apreensão realizada em sua residência em Brasília, sob investigação das milícias digitais, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
As medidas fazem parte de uma investigação sobre uma suposta associação criminosa formada para cometer os crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. Há suspeita de que os registros vacinais de Bolsonaro, seu auxiliar Cel. Mauro Cid e a filha mais nova do ex-presidente, Laura, foram forjados.
A Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sabia do esquema de fraude nos cartões de vacinação contra a Covid-19. Jair Bolsonaro (PL) disse que não tomou a vacina contra a Covid-19, e que não falsificou nada.
Fonte: Folha de SP [1], [2], [3], [3], [4], [5], [6], [7], [8], [9].



