O cruzamento de dados sobre a violência no país ajuda a medir a distância entre as estatísticas oficiais e a realidade. Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), quando comparando números de registros de ocorrências em delegacias com relatos de vítimas feitos após questionamentos do IBGE, mostra que o número de pessoas que declararam ao instituto ter sido vítima de roubo ou conviver com alguém O número de casos sofridos por este tipo de crime é, em média, no país, cinco vezes superior ao número de casos registados. No Rio, a situação quase se repete: a chamada taxa de vitimização é quase quatro vezes superior à taxa total de roubos registados.
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Metodologia
O trabalho utilizou informações do Suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE, de 2021, e do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para mostrar o problema em nível nacional. A pesquisa tem como objetivo ajudar a orientar políticas públicas.
Causas da subnotificação
Entre as principais causas da subnotificação estão o medo das vítimas em relação às ações dos criminosos — como os grupos armados que dominam regiões do Rio — e a falta de confiança nas autoridades policiais.
Para o Coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, os problemas de subnotificação estão diretamente relacionados ao tipo de crime e à área onde ocorreu. As pessoas normalmente não registam um caso de violência cometido contra ou por um líder de milícia ou de droga, por exemplo. Por outro lado, o roubo de carros não sofre com a falta de registros. Mas não porque as pessoas acreditem que a polícia conseguirá resgatar o veículo, mas sim porque para garantir documentos para buscar seguro.
Sensação de Insegurança
O sentimento de insegurança nem sempre advém de um ato violento. A presença de actividade criminosa por si só pode provocar medo.
A pesquisa fornece dados sobre a percepção de segurança da população. Para os recenseadores, um em cada três moradores do Estado do Rio disse ter ouvido tiros perto de sua casa. AROUND 47% dos moradores consideraram altas ou médias as chances de serem assaltados na rua. E para 31% existe a possibilidade de estar no meio de um tiroteio no dia a dia.
No Distrito Federal, 55% dos moradores afirmaram que a chance de sofrer assalto era alta ou média. E cerca de 20% responderam que tinham chance de serem assassinados. No Rio, as taxas foram de 47% e 19%, respectivamente.
Celular na rua
A pesquisa da FGV também destaca a percepção da população sobre o uso do celular em locais públicos. De acordo com o estudo, 59% dos moradores do Estado do Rio relataram que evitam usar o aparelho na rua por questões de segurança. No Distrito Federal, o percentual sobe para 69% e permanece em 56% em São Paulo.
Potência paralela
De acordo com o questionário, cerca de 12% dos moradores do Estado do Rio disseram ter visto alguém que não era das forças de segurança armado na rua. E 7% testemunharam extorsão ou viram alguém cobrando taxas ilegais.
Análise:
A análise de dados de segurança pode ajudar a orientar políticas públicas. Os pesquisadores entendem que a subnotificação está ligada ao medo que as vítimas têm dos criminosos. No Rio, por exemplo, eles dominam diversas regiões, o que leva à falta de confiança na polícia e nas autoridades governamentais. Além disso, esses números ajudam a revelar problemas que normalmente não são medidos. Presenciar um tiroteio ou uma cobrança ilegal não gera necessariamente um boletim de ocorrência, mas diz muito sobre a segurança de um local. A pesquisa sobre percepção de segurança é subjetiva, mas mostra como os moradores de cada estado veem a chance de sofrer um crime e sua relação com as forças de segurança locais.
Fonte: O Globo.



