Pelo terceiro ano consecutivo, a Avenida Paulista lidera o ranking de ruas e avenidas com o maior número de roubos de joias em São Paulo., de acordo com dados da plataforma interativa Mapa do Crime, produzida pela GLOBO. No ano passado, a avenida registrou 12 casos e voltou a figurar no topo da lista durante um período em que a cidade contabilizou 1,106 ocorrências desse tipo de crime. — o número mais alto da série histórica e um aumento de 25% em comparação com 2023. Os dados reforçam as preocupações com roubos violentos em alguns dos corredores comerciais e financeiros mais movimentados da capital, particularmente em áreas com grande circulação de pedestres e concentração de artigos de luxo. O aumento dos roubos envolvendo relógios de luxo também chamou a atenção, especialmente os modelos Rolex, que se tornaram alvos frequentes de grupos criminosos organizados que atuam em bairros nobres como Jardins, Itaim Bibi e ao longo da Avenida Brigadeiro Faria Lima.
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Outras vias importantes
Seguindo a Avenida Paulista no ranking deste ano estão a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Avenida do Estado, ambas com 9 roubos registrados envolvendo joias e acessórios pessoais valiosos, seguida pela Avenida da Liberdade, que registrou 8 casos desse tipo. A Avenida Giovanni Gronchi, a Rua Heitor Penteado e a Avenida Professor Francisco Morato também figuram entre os endereços mais afetados, cada uma com 7 ocorrências registradas envolvendo itens como correntes, pulseiras, anéis e relógios de luxo. A distribuição dos casos indica que esse tipo de crime não se restringe ao centro da cidade ou a bairros de alta renda, mas se estende por diferentes corredores estratégicos com intenso fluxo de veículos e pedestres.
Repetição
A presença constante da Avenida Paulista no topo do ranking chama a atenção pela sua consistência ao longo dos anos, mesmo com a oscilação de outras ruas e avenidas nas estatísticas. Em 2024, a avenida registrou 26 roubos, mais que o triplo do número registrado na segunda colocada, a Rua Vergueiro, que teve 7 casos. Também tiveram destaque naquele ano a Rua Domingos de Morais, a Avenida Giovanni Gronchi e a Rua Vinte e Cinco de Março, todas com 6 ocorrências cada. Padrão semelhante já havia sido observado em 2023, quando a Avenida Paulista liderou com 22 denúncias, seguida pela Praça da Sé com 13. Rua da Cantareira, Avenida Morumbi e Avenida Professor Francisco Morato também estiveram entre as áreas com maior concentração de ocorrências.
Roubo de pedestres vs. roubo de celular
Embora roubos a pedestres e furtos de celulares frequentemente ocorram simultaneamente, as autoridades os classificam separadamente nas estatísticas criminais. O roubo de pedestres — também conhecido como roubo de rua — inclui o furto de pertences pessoais, como bolsas, joias, relógios ou carteiras, mediante violência ou intimidação em espaços públicos. Já o roubo de celulares envolve especificamente o furto de aparelhos móveis, que se tornaram alvos preferenciais devido ao seu alto valor de revenda e potencial uso em golpes digitais. Essa distinção reflete a complexidade da dinâmica do crime urbano, já que os telefones roubados frequentemente alimentam um mercado ilegal mais amplo que envolve operações bancárias fraudulentas, desmontagem de aparelhos para peças e redes de revenda ilegal.
Relógios de luxo
A cidade de São Paulo registrou 52 roubos envolvendo relógios Rolex no ano passado.De acordo com o Mapa do Crime, plataforma interativa mantida pela GLOBO com dados sobre roubos violentos na capital. Os dados mostram que relógios de luxo continuaram a atrair criminosos em 2025, particularmente em bairros de classe alta como Jardins e Itaim Bibi. A Avenida Brigadeiro Faria Lima, considerada um dos principais corredores financeiros e corporativos de São Paulo e localizada entre os dois bairros com maior concentração de ocorrências.A rua com maior número de roubos de relógios Rolex em 2025 liderou o ranking, com um total de 6 casos registrados. Entre 2023 e 2025, o número total de roubos envolvendo relógios da marca de luxo chegou a 187. Entre as delegacias com o maior número de ocorrências em 2025, as que atendem Itaim e Jardins ocuparam as duas primeiras posições, seguidas pela 14ª Delegacia de Polícia, responsável pela região de Pinheiros, com 18 casos registrados.
Análise:
A persistente concentração de roubos de joias em avenidas como a Avenida Paulista e a Avenida Brigadeiro Faria Lima reflete uma transformação mais ampla na dinâmica da criminalidade urbana em São Paulo. Grupos criminosos priorizam cada vez mais alvos que combinam alto valor de revenda, portabilidade e liquidez rápida, tornando relógios de luxo, correntes e outros acessórios particularmente atraentes. Esses crimes costumam se concentrar em corredores de mobilidade estratégica com intensa circulação de executivos, turistas e moradores de alta renda, o que permite aos criminosos identificar as vítimas rapidamente e escapar com eficiência, frequentemente utilizando motocicletas para se locomover no trânsito e reduzir as chances de serem interceptados por patrulhas policiais. A presença recorrente das mesmas avenidas nos rankings de criminalidade ao longo de anos consecutivos sugere que esses roubos não são eventos isolados, mas parte de um mercado criminoso estruturado e adaptativo.



