O Brasil encerrou o ano com uma complexa combinação de desenvolvimentos políticos, econômicos e institucionais. O presidente Lula entra na reta final de seu mandato enfrentando um ambiente político polarizado, pressões fiscais e decisões delicadas em seu gabinete, particularmente na área de segurança pública, ao mesmo tempo em que se beneficia de taxas de desemprego historicamente baixas que reforçam a narrativa econômica do governo. Simultaneamente, a prisão de um ex-assessor presidencial no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe evidencia as consequências institucionais da crise eleitoral de 2022. Em conjunto, esses elementos configuram um cenário de recuperação cautelosa, aliado a desafios políticos e de governança persistentes, enquanto o país caminha para o próximo ciclo eleitoral.
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Último ano do governo
O presidente Lula (PT) inicia o último ano de seu mandato com índices de aprovação mais favoráveis do que os registrados há duas décadas, quando garantiu sua reeleição, mas em meio a um cenário político mais incerto. Analistas apontam que a polarização persistente, as preocupações com a segurança pública, a insegurança econômica e a insuficiente aproximação com grupos como os trabalhadores informais podem complicar o caminho do PT rumo a uma quarta vitória presidencial. Em 2025, Lula experimentou uma queda de popularidade que levou sua aprovação aos níveis mais baixos de seus três mandatos. Mesmo assim, ele encerra o ano com índices de aprovação mais altos do que no início de 2006, quando se preparava para sua primeira campanha de reeleição.
Contas governamentais
As contas do governo registraram um déficit de R$ 83.8 bilhões até novembro, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (29/12). Somente em novembro, o déficit chegou a R$ 20.2 bilhões. Mesmo assim, o governo espera fechar o ano em conformidade com a meta fiscal, dependendo dos números de dezembro, ainda não divulgados. O déficit acumulado até novembro de 2025 representa o pior resultado desde 2023, quando o saldo era negativo em R$ 122.8 bilhões.
Queda no desemprego
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5.2% no trimestre encerrado em novembro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta terça-feira (30/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor nível da série histórica, iniciada em 2012. Como resultado, 5.6 milhões de pessoas estão atualmente desempregadas no país. O número de desempregados diminuiu 7.2% em relação ao trimestre anterior e 14.9% em relação ao ano anterior, representando 988,000 mil pessoas a menos sem trabalho. A população empregada atingiu a marca de 103 milhões de pessoas, um novo recorde, com crescimento de 0.6% no trimestre e de 1.1% em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a 1.1 milhão de trabalhadores a mais.
ministro da Justiça
Com a possível saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o presidente Lula (PT) inicia o ano enfrentando desafios na gestão de uma área considerada central para sua estratégia de reeleição. A busca por um sucessor tem sido acompanhada por um renovado debate no Palácio do Planalto sobre a possível divisão do ministério , incluindo a criação de uma estrutura dedicada exclusivamente à segurança pública — uma promessa de campanha não cumprida que ainda carece de consenso entre os assessores mais próximos de Lula. Lewandowski manifestou sua intenção de deixar o cargo em conversa com o presidente no dia 23, na sala VIP do Aeroporto de Congonhas, afirmando acreditar que sua missão foi cumprida. Lula acatou o pedido, disse que isso não afetaria a relação pessoal entre eles e solicitou tempo para decidir sobre um substituto.
Prender
O ex-assessor presidencial Filipe Martins foi preso preventivamente na sexta-feira (02/01) em sua residência em Ponta Grossa, Paraná, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Martins estava em prisão domiciliar e, segundo a decisão, violou as restrições impostas pela justiça ao acessar uma plataforma de mídia social. Ele foi condenado a 21 anos de prisão em um caso relacionado a uma tentativa de golpe e outros quatro crimes. O tribunal considerou que Martins redigiu um decreto com o objetivo de anular os resultados da eleição presidencial de 2022 , que foi posteriormente apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos comandantes das Forças Armadas. Na decisão que determinou a prisão preventiva, o ministro Moraes citou o acesso de Martins à plataforma LinkedIn como prova de descumprimento da ordem judicial.
Análise:
O panorama do Brasil no final do ano revela um governo que busca equilibrar pontos fortes estruturais com vulnerabilidades persistentes, à medida que se aproxima de uma fase eleitoral decisiva. O presidente Lula se beneficia de indicadores excepcionalmente fortes no mercado de trabalho, com níveis recordes de emprego e desemprego historicamente baixos, reforçando a narrativa econômica do governo e ajudando a atenuar a frustração pública com a inflação e as restrições fiscais. Ao mesmo tempo, a deterioração das contas públicas e a incerteza quanto ao cumprimento das metas fiscais expõem os limites da política expansionista e os custos políticos do ajuste fiscal em um ambiente polarizado.
Politicamente, Lula entra no último ano de seu mandato com níveis de aprovação que permanecem competitivos para os padrões históricos, mas em um cenário muito mais fragmentado e contencioso do que durante seus mandatos anteriores. Discussões internas sobre a reformulação do Ministério da Justiça e Segurança Pública sinalizam um entendimento de que a arquitetura institucional e a liderança nessa área serão fundamentais para o posicionamento eleitoral do governo, especialmente porque a segurança pública e a estabilidade democrática continuam a moldar as prioridades dos eleitores.



