O governo do presidente Lula lançou na segunda-feira (22/01) um plano com metas para a industrialização do país, denominado “Nova Indústria Brasil”. Linhas de crédito, subsídios governamentais e a exigência de conteúdo local na produção industrial estão previstos para incentivar as empresas nacionais.
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Com metas para os próximos dez anos, a nova política visa especificamente seis áreas: agroindústria; bioeconomia; complexo industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade; transformação digital; e tecnologia de defesa.
Neoindustrialização
As autoridades que trabalharam na elaboração da política apontam que houve a preocupação de incluir o poder público numa posição central no que chamam de neoindustrialização. Seguindo esta lógica, às empresas nacionais serão disponibilizadas duas iniciativas, linhas de crédito com condições favoráveis, para que possam assumir serviços e obras no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e também contratos com compras governamentais.
Metas para 2033:
- Aumentar a participação do setor agroindustrial no Produto Interno Bruto (PIB) agrícola para 50%
- Alcançar 70% de mecanização nos estabelecimentos da agricultura familiar
- Produzir internamente 70% de toda a demanda interna de medicamentos, vacinas, equipamentos e outros insumos e tecnologias
- Reduzir o tempo de viagem de casa para o trabalho em 20% (em termos de habitação e mobilidade)
- Transformar digitalmente 90% das empresas industriais brasileiras, priorizando novas tecnologias, como a robótica avançada
- Reduzir em 30% as emissões de dióxido de carbono na indústria e aumentar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética dos transportes
- Obter autonomia na produção de 50% de tecnologias críticas para defesa (na parte de defesa nacional)
Reação do Mercado Financeiro
O mercado financeiro não reagiu bem ao plano do governo Lula para impulsionar a indústria do país nos próximos dez anos. Depois que o governo anunciou o pacote, o dólar acelerou sua valorização frente ao real e fechou com ganhos de 1.20%, a R$ 4.9866. Neste ano, a taxa de câmbio acumulou alta de 2.77%.
O Real brasileiro (BRL) foi a moeda que mais se desvalorizou face ao dólar a nível global, numa sessão em que a moeda americana teve um ligeiro ganho de 0.05% face às principais moedas, segundo dados da Bloomberg.
Análise:
O anúncio do programa Nova Indústria do Brasil marcou o início de um novo capítulo na extensa história das políticas industriais brasileiras. Essa ambiciosa iniciativa envolve a disponibilização de aproximadamente R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026, com parcela significativa proveniente do BNDES. O cenário global testemunhou um ressurgimento de intervenções governamentais destinadas a revitalizar as indústrias.
A busca por fortalecer o setor industrial tem sido uma aspiração dos funcionários do governo. No contexto das economias emergentes, a industrialização tem sido consistentemente vista como um catalisador para o desenvolvimento. No caso do Brasil, o processo de desindustrialização ocorreu antes de a nação alcançar a prosperidade, influenciada por uma combinação de fatores internos e circunstâncias globais.
O plano do governo, delineado com vários objectivos, afasta-se da noção simplista de mera revitalização industrial. Em vez disso, enfatiza o direcionamento de incentivos para a investigação, o desenvolvimento e a inovação. Notavelmente, a decisão de canalizar recursos para a agroindústria é louvável, reconhecendo a distinta vantagem comparativa do Brasil neste setor.
Contudo, surge uma nota de cautela devido à tendência histórica dos governos para utilizarem políticas industriais para favorecer sectores politicamente estratégicos e perseguir prioridades de desenvolvimento específicas. Além disso, a ausência persistente de mecanismos eficazes de avaliação e correção de rumo representa um desafio. Muitas vezes, o que começa como medidas provisórias torna-se consolidado, exemplificado por casos como a Zona Franca de Manaus e a proliferação de regimes fiscais especiais.
Fonte: O Globo; Folha de S. Paulo.



