O número de notificações de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas subiu para 195 no Brasil, segundo novo boletim do Ministério da Saúde divulgado na tarde deste sábado (04/10). Há 14 casos confirmados e 181 em investigação. Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Piauí notificaram seus primeiros casos em investigação. Destes, 13 óbitos. Um confirmado e 12 em investigação – o relatório do ministério não inclui a segunda morte confirmada pelo governo de São Paulo no sábado (04/10).
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Metanol
O metanol é um álcool utilizado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. É altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o converte em substâncias tóxicas que danificam a medula espinhal, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até a morte. Também pode causar insuficiência pulmonar e renal.
Ministério começa a distribuir antídotos
O Ministério da Saúde também informou que começou a distribuir etanol farmacêutico, um dos antídotos usados para tratar intoxicação por metanol, aos estados que solicitaram suprimentos adicionais. A primeira remessa incluiu 580 frascos enviados para cinco estados: 240 para Pernambuco, 100 para o Paraná, 90 para a Bahia, 90 para o Distrito Federal e 60 para o Mato Grosso do Sul. Além do etanol farmacêutico, o ministério assinou um contrato para a compra de 2,500 unidades de fomepizol, medicamento também usado como antídoto para intoxicações.
Início da Crise
Segundo o Ministério da Saúde, os primeiros casos ocorreram no final de agosto. No final de setembro, a contaminação se tornou pública, quando médicos em São Paulo começaram a relatar casos de pacientes com sintomas típicos de intoxicação por metanol. A troca de informações entre profissionais de saúde revelou que esses não eram incidentes isolados: vários hospitais estavam recebendo casos semelhantes. Diferentemente dos envenenamentos comuns — geralmente associados a pessoas vulneráveis que consomem combustível — desta vez as vítimas consumiram bebidas alcoólicas em bares, festas e reuniões sociais. Isso levantou suspeitas de que garrafas adulteradas estavam circulando nas lojas.
Investigação
A principal linha de investigação da Polícia Civil é que fábricas clandestinas usavam metanol para higienizar garrafas falsificadas antes de engarrafar. A substância, que não está legalmente disponível no Brasil, teria sido contrabandeada e aplicada em recipientes reutilizados. Mais de mil garrafas já foram apreendidas em operações conjuntas entre a polícia e a Vigilância Sanitária. Até o momento, algumas amostras apresentaram resultado positivo para metanol.
Como se proteger?
Não é possível identificar a presença de metanol simplesmente olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera a cor, o odor ou o sabor e só pode ser detectado por testes de laboratório. As autoridades recomendam que os consumidores tomem cuidado com embalagens suspeitas (como lacres dobrados ou etiquetas mal impressas), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam um recibo. Nas primeiras horas, a intoxicação pode ser confundida com uma ressaca comum: náuseas, tonturas e dor de cabeça. Entre 12 e 24 horas, surgem sintomas mais graves, como visão turva e respiração ofegante. Em 48 horas, há risco de cegueira irreversível, falência de órgãos e morte.
Análise:
O crescente número de casos de intoxicação por metanol no Brasil representa uma grave emergência de saúde pública ligada à circulação de bebidas alcoólicas adulteradas. O padrão de contaminação — que afeta consumidores sociais e não apenas populações vulneráveis — indica que o problema não é isolado, mas sistêmico, envolvendo redes organizadas de produção e distribuição ilícitas.
Do ponto de vista da saúde pública, a rápida resposta do Ministério da Saúde — distribuindo antídotos como etanol farmacêutico e medopizol — é um passo essencial para mitigar o impacto. No entanto, a detecção precoce e a prevenção continuam sendo os principais desafios, visto que a contaminação por metanol não pode ser identificada pela aparência ou pelo sabor.
Fonte: G1 [1] [2] [3] [4], Folha de S.Paulo



