O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, liderado por Silvio Almeida, confirmou que pagou uma das viagens a Brasília de Luciane Barbosa Farias, conhecida como a “mulher das drogas” do Amazonas e esposa do chefe de uma facção criminosa no estado. Segundo o ministério, o pagamento ocorreu após ela ser nomeada representante da Amazônia para participar do Encontro de Comitês e Mecanismos de Prevenção e Combate à Tortura.
O evento aconteceu nos dias 6 e 7 de novembro deste ano.
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Senhora do trânsito
Esposa do chefe de uma facção criminosa no Amazonas, Luciane foi condenada em segunda instância a 10 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e organização criminosa, mas recorreu e está em liberdade. Ela é esposa de Clemilson dos Santos Farias, Tio Patinhas, chefe da facção amazonense, e, segundo o Ministério Público, desempenhou papel essencial na ocultação dos bens do tráfico de drogas transportados pelo marido.
Não encontrei o ministro
O ministro da Justiça, Flávio Dino, negou ter visto ou conhecido Luciane Barbosa Farias durante consulta no Ministério dos Direitos Humanos. Durante entrevista coletiva, ela teria afirmado que participou de audiências com a presença de Dino no departamento chefiado por Silvio Almeida, embora sem ter conversado diretamente com os políticos.
Presidente Lula defende
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na quarta-feira (15/11), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, após o caso envolvendo Luciane Barbosa Farias, mais conhecida como a “mulher das drogas” no Amazonas. O presidente afirmou que Dino tem sido alvo de “absurdos ataques plantados artificialmente” e que o ministro “reiterou que nunca conheceu a esposa de um líder de facção criminosa”. Lula afirmou ainda que o Ministério da Justiça tem “ações coordenadas de enorme importância para o país” e que essas ações “despertam muitos opositores”.
Sem demissões
O ministro Flávio Dino afirmou quinta-feira (16/11) que não pretende demitir os secretários que realizaram audiências com Luciane Barbosa Farias, esposa de um líder de facção no Amazonas, e que esteve duas vezes na sede do ministério, em Brasília. A demissão de subordinados, para Dino, significaria desmoralização dele como chefe.
Novas Regras
O secretário nacional dos Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Elias Vaz, admitiu que errou ao não ter realizado um controlo prévio dos membros de uma delegação recebeu em que estava Luciane Barbosa Farias, mais conhecida como a “droga amazônica”. Depois que o caso foi anunciado, o ministério alterou as regras de acesso à sua sede e os nomes dos participantes da audiência deverão ser comunicados com até 48 horas de antecedência para conferência.
Análise:
Esse episódio, aliado às crises de segurança que atingem estados como Rio e Bahia, além das sinalizações emitidas pelo Senado, fragilizaram o nome de Dino para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Assessores de confiança de Lula avaliam que, nesse cenário, o procurador-geral da União (AGU), Jorge Messias, ganhou impulso na disputa que trava com o colega de governo nos bastidores. A vaga no Supremo está aberta desde 30 de setembro, quando Rosa Weber se aposentou ao completar 75 anos. O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, também é cogitado para o cargo.



