O digital se tornou a maior fonte de novos crimes e um ótimo ambiente para o surgimento de versões de crimes tradicionalmente cometidos nas ruasAlguns exemplos disso foram relatados recentemente. No Rio de Janeiro, no domingo (20/04), três homens foram presos por planejarem executar um morador de rua. O crime seria transmitido ao vivo no domingo de Páscoa na plataforma Discord em troca de dinheiro. Segundo a polícia, os três jovens presos eram os líderes do grupo. Mais um caso, desta vez na quarta-feira (23), no Leblon, Zona Sul do Rio, um homem de 24 anos foi assaltado e extorquidoO criminoso levou um colar de ouro e um fone de ouvido, mas também conseguiu obrigar a vítima a fazer uma transferência Pix de R$ 2,000. Um terceiro caso recente foi registrado após a prisão de um golpista na sexta-feira (25/04) por aplicar o chamado "golpe do amor", resultando em um prejuízo de R$ 500,000 à sua vítima. Crimes que utilizam a plataforma digital crescem e evoluem em tal velocidade que só golpes que utilizam o Pix devem causar prejuízos de R$ 11 bilhões até 2028. Além disso, o Brasil já está entre os principais países em crimes denunciados.
Grupos de ódio
Os membros do grupo encontrado no aplicativo Discord organizaram atos que resultaram em “sofrimento físico e psicológico” e demonstraram falta de empatia. Além de planejar a execução de um morador de rua, as pessoas desses grupos promoveu discurso de ódio na internet, principalmente contra negros, mulheres, adolescentes e animais. Entre os crimes, todos com viés de “entretenimento”, a polícia revela que houve também maus-tratos a animais, indução à automutilação, racismo e estupro virtual (chantagem, constrangimento e publicação de imagens íntimas das vítimas na internet).
De acordo com os especialistas, Traços psicopáticos, histórico de bullying e falta de limites familiares são algumas das características comuns entre jovens que se envolvem em atos violentosEles consideram as mídias sociais um ambiente propício ao discurso de ódio.
Outros casos semelhantes
Polícia afirma que adolescentes presos não têm relação com ocorrências anteriores, incluindo a ocorrida no dia 18 de fevereiro na Zona Oeste do RioNa ocasião, um adolescente de 17 anos foi preso após atirar dois coquetéis molotov em Ludierley Satyro José, de 46 anos, que dormia na calçada da Avenida Geremário Dantas, no bairro Pechincha. O incidente foi transmitido ao vivo pelo Discord. A vítima sofreu queimaduras em 80% do corpo, mas sobreviveu. Um militar de 20 anos foi preso. Este e muitos outros relatos anteriores de incidentes semelhantes mostram que o fenômeno é generalizado.
Potencializando Roubo e Extorsão
Através da aplicação da tecnologia digital, da internet, dos telemóveis e dos novos métodos de transferência de dinheiro, os criminosos potenciaram ou permitiram que os crimes tradicionais evoluíssem. Foi o caso do incidente ocorrido na Avenida Ataulfo de Paiva, uma das principais avenidas de um dos bairros mais ricos do Brasil. Mesmo sem a posse de R$ 2,000, o criminoso conseguiu obtê-los por meio do celular e do Pix.
Felizmente, neste caso, o desfecho foi menos negativo, pois os agentes da Segurança Presente foram acionados por um amigo da vítima, que ao passar por um ponto de ônibus onde seu amigo estava, estranhou a situação e suspeitou que estava sendo ameaçado.
Amor e Golpe
A fraude teve como alvo uma mulher e a induziu a transferir grandes quantias de dinheiro que somavam até R$ 500,000 mil. Trata-se de uma fraude emocional — um golpe em que o criminoso simula um relacionamento amoroso com a vítima para obter vantagem financeira. Embora a vítima fosse paraense, ele era do Rio de Janeiro e a quadrilha que o apoiava era da Nigéria. Isso demonstra a ampla capacidade e o potencial de impacto que esses criminosos podem ter.. O suspeito foi capturado na favela Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.
A vítima, acreditando estar tendo um relacionamento virtual com um estrangeiro, foi enganada e fez diversas transferências bancárias que totalizaram R$ 500,000 mil. O suspeito fez transferências para uma empresa que opera criptomoedas para lavar o dinheiro.
Crescimento
Golpes financeiros envolvendo Pix devem quintuplicar nos próximos três anos e ultrapassar R$ 11 bilhões em prejuízos a clientes de bancos, segundo relatório da ACI Worldwide, empresa americana que desenvolve serviços de tecnologia com métodos de pagamento. As informações são do relatório Scamscope Fraud, que mostra o Brasil entre os líderes globais em golpes envolvendo pagamentos digitais. Líderes na projeção de países mais afetados por crimes cibernéticos até 2028, os Estados Unidos lideram o ranking com R$ 18.6 bilhões em desvios de verbas. Em seguida, vem o Brasil (R$ 11.4 bilhões)., Austrália (R$ 7 bilhões), Reino Unido (R$ 4.9 bilhões), Índia (R$ 3.3 bilhões) e Emirados Árabes Unidos (R$ 181.5 milhões).
Fontes: Extra [1], [2], [3], [4]; Folha de SP [1], [2], [3].



