Autoridades da Polícia Civil da Baixada Santista acreditam que a morte de Cristiano Lopes da Costa, também conhecido como Meia Folha, pode estar ligada à cisão na cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). O homem, identificado como um dos líderes do tráfico de drogas no Guarujá, foi baleado na noite de terça-feira (12/03) em uma lanchonete de Vicente de Carvalho. Testemunhas afirmam que os tiros foram disparados por um homem que passava pelo local de moto.
Este conteúdo é apenas para assinantes
Para desbloquear este conteúdo, assine Relatórios INTERLIRA.
Toque de recolher
Moradores da Baixada Santista relatam suposto toque de recolher na região após a morte de Meia Folha. Segundo eles, os comércios fecharam mais cedo e os motoristas de aplicativos foram orientados a parar de dirigir. Em Santos, pelo menos dois ônibus foram incendiados. O transporte público foi suspenso em vários bairros.
Segunda morte
A morte de Meia Folha é a segunda em menos de 20 dias atribuída à cisão na facção. No dia 25 de fevereiro, Donizete Apolinário da Silva foi morto a tiros em Mauá, na Grande São Paulo. O homem de 55 anos era visto como aliado do líder supremo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e integrante da chamada “Afinação Final”, máxima liderança da facção.
Razão principal
O principal motivo da cisão na facção seria o vazamento de um diálogo entre Marcola e policiais federais, na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Na época, o O líder do PCC afirmou que o número 2 da hierarquia da facção, Roberto Soriano, conhecido como Tiriça, era um “psicopata”.
A declaração foi utilizada pelos promotores durante o julgamento de Roberto Soriano. O criminoso, que atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, ao lado de Marcola e outros dirigentes do PCC, foi condenado a 31 anos e 6 meses de prisão, em 2023, por ter sido o mandante do assassinato da psicóloga Melissa de Almeida Araújo.
Análise:
Com a liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvida em conflitos internos, aumenta a preocupação com a possibilidade do surgimento de uma nova facção criminosa. Antigos aliados de Marcola, principal líder da organização, tornaram-se agora seus adversários, criando um cenário de instabilidade dentro do grupo.
Segundo especialistas, o principal foco de atenção recai sobre a questão envolvida na eventual criação de uma nova facção em São Paulo, o que implicaria um confronto entre uma nova facção e a principal organização criminosa do estado. Tal conflito seria notavelmente mais desafiador do que em qualquer outro local ou circunstância.
O PCC detém significativo domínio territorial, exercendo hegemonia não apenas em São Paulo, mas também estendendo sua influência às fronteiras dos países latino-americanos, o que poderia dificultar o surgimento de um novo grupo criminoso.
O modelo penal estabelecido pelo PCC ao longo dos últimos 30 anos caracteriza-se por uma estrutura sólida, difícil de ser fragmentada por disputas pessoais. Além disso, a organização desenvolveu um complexo sistema de franquia no qual os seus membros, muitos recrutados nas prisões do país, formam grupos locais que operam dentro e fora do sistema prisional.
Um dos principais pontos fortes do PCC reside no forte sentido de unidade entre os seus membros e num código de conduta rigoroso que prevalece sobre qualquer dissidência ou desejo individual. O PCC é reconhecido como a maior facção criminosa do país, com estimativas do Ministério Público apontando para cerca de 33,000 mil membros atualmente, embora outros estudos sugiram um número ainda maior, em torno de 40,000 mil membros.
Ainda assim, é improvável que a luta interna desestabilize a estrutura da maior gangue criminosa do Brasil.
Fonte: estádio; Metrópoles; Crime de percepção.



