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Na quarta-feira (20/07), O policial prisional Jorge Guaranho, que atirou e matou o petista Marcelo Arruda em sua festa de aniversário, foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e perigo comum pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). A agência entendeu que os acusados agiam por um motivo fútil decorrente de “preferências político-partidárias antagônicas” e que o Guaranho colocou a vida de mais pessoas em risco ao disparar tiros dentro do salão do partido.
Divergência
Na sexta-feira (15/07), a Polícia Civil do Paraná havia divulgado as conclusões da investigação. Segundo o documento, não houve motivação política no assassinato do petista em Foz do Iguaçu. A chefe de polícia Camila Cecconello afirmou que Guaranho atirou em Marcelo porque se sentiu ofendido, pois o petista jogou um punhado de terra e pedra em seu carro, após uma provocação política. No inquérito, Ceconello considerou que a primeira discussão entre Arruda e Guaranho foi motivada por questões políticas. No entanto, quando Guaranho voltou à festa, depois de deixar a mulher e o filho em casa, o policial teria reagido a um sentimento de humilhação. Para o Ministério Público, os cerca de dez minutos que separam os dois momentos são uma linha contínua e tiveram a mesma motivação política.
O caso
No sábado (09/07), Marcelo de Arruda, da Guarda Municipal e do Partido dos Trabalhadores (PT), foi morto a tiros por Jorge Guaranho, policial do sistema penitenciário federal e apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Arruda estava em um clube local comemorando sua festa de aniversário que teve como tema o ex-presidente Lula e o PT. Quando o evento estava terminando, Guaranho apareceu em frente ao salão da festa e, segundo relatos da polícia, passou gritando frases de apoio a Bolsonaro, chamou Lula de ladrão e xingou. Após uma rápida discussão com o guarda da cidade e seus amigos, ele foi embora, mas disse que voltaria. Em seguida, segundo testemunhas, Arruda foi até seu carro e pegou uma arma para se defender. Mais tarde, o policial voltou, invadiu a festa e atirou em Arruda, que, apesar de ferido, também atingiu Guaranho. O policial sobreviveu e foi preso em seguida.
The Aftermath
Devido às circunstâncias em que o assassinato ocorreu, antes mesmo de o Ministério Público divulgar seu entendimento sobre o caso, foi interpretado por muitos como um ato de violência política. De acordo com as declarações de vários líderes políticos, o homicídio espalhou temores e alertas de provável aumento das tensões e mais atos de violência política em todo o país, à medida que uma eleição extremamente polarizada se aproxima.
A oposição acusou o presidente Jair Bolsonaro de estimular ações tão violentas. Sete partidos (Rede, PC do B, PSB, PV, PSOL e Solidariedade) ajuizou ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente por incitação à violência e discurso de ódio. Ao TSE, os partidos argumentaram que os discursos do presidente se configuram em estímulos psicológicos que constroem no imaginário de seus apoiadores e seguidores a desumanização do adversário.
A defesa de Jair Bolsonaro pediu quarta-feira (20/07) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeite a ação. Segundo os advogados, as falas de Bolsonaro citadas pelos partidos não têm vínculo eleitoral e, portanto, estão fora do âmbito do TSE. Além disso, A defesa de Bolsonaro disse ainda que é “irresponsável” atribuir ao presidente, por causa de seus discursos, atos de violência como a morte de Marcelo Arruda.



