Acontecimentos recentes reforçam a ideia de que membros do último governo e das forças de segurança se articularam contra o governo do recém-eleito Lula. Na semana passada o o hacker Walter Delgatti afirmou na Comissão Mista de Inquérito Parlamentar (CPMI) dos Atos Golpistas que o marqueteiro de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2022 pediu um “código-fonte” falso para apontar fragilidades nas urnas. Além disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) determinou a prisão da chefia da Polícia Militar do Distrito Federal por não ter atuado para impedir os ataques à Praça dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro.
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O hacker
Delgatti ficou conhecido pelo caso “Vaza Jato”, ocorrido em 2019, quando vazou mensagens atribuídas ao então ministro da Justiça e atual senador Sergio Moro. O hacker voltou às manchetes em 2023, após se tornar o suspeito número um de invasão da justiça brasileira e emissão de falso mandado de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Recentemente, o hacker fez uma série de declarações em depoimentos à Polícia Federal (PF) e à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas. Em junho, ele disse que o pedido de invasão da Justiça partiu da deputada federal Carla Zambelli (PL). Na quarta-feira (16), Delgatti prestou novo depoimento à PF, onde alegou ter recebido R$ 40,000 mil do deputado federal para invadir o Judiciário.
Na quinta-feira (17), o hacker foi ouvido pela CPMI das Leis Golpistas, no Congresso Nacional. Na ocasião, ele disse que foi solicitada a elaboração de um código-fonte falso para mostrar que as urnas eletrônicas são propensas a fraudes. Em seu depoimento, Delgatti disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prometeu perdão caso fosse preso por ação contra urnas eletrônicas. Ele também disse que orientou funcionários do Ministério da Defesa na preparação de um relatório sobre a segurança das urnas.
A Polícia Militar e os Ataques de 8 de Janeiro
Na sexta-feira (18), a liderança da Polícia Militar do Distrito Federal foi alvo de operação da Polícia Federal. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o comando da polícia tinha plena consciência da magnitude e da gravidade dos actos que estavam a ser planeados para o dia 8 de Janeiro e intencionalmente não agiu para impedir o ataque que vandalizou a Praça dos Três Poderes e teve como principal objetivo estimular as Forças Armadas a dar um golpe de Estado. Para a PGR, lideranças policiais acreditavam em uma insurgência popular para manter Bolsonaro no poder.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a prisão do atual comandante-geral da Polícia Militar, coronel Klepter Rosa Gonçalves, do ex-comandante coronel Fábio Augusto Vieira, e de outros cinco oficiais que comandou a corporação durante os atos golpistas.
Segundo a PGR, os procuradores têm indícios de que a polícia infiltrou agentes de inteligência entre os manifestantes para obter informações. A PGR afirma que a direção da corporação não agiu para evitar o vandalismo contra as sedes dos três poderes da República devido ao alinhamento ideológico com os manifestantes golpistas.
Nossa Análise:
A série de acontecimentos e fatos recentes descobertos pelas investigações da Polícia Federal reforçam a tese de que houve articulações promovidas para a realização de um golpe de Estado contra o atual governo. Também sustenta a ideia de que grande parte das forças de segurança está alinhada aos ideais do ex-presidente Bolsonaro e foi influenciada politicamente, por vezes, a ponto de cometer crimes contra a democracia. As investigações ainda precisam ser concluídas e as acusações e teses confirmadas. Se depois de um processo como este, que tende a se arrastar por um longo período, as autoridades conseguirem confirmar tudo, as punições militares e civis poderão enviar uma mensagem às tropas.



