Na sexta-feira (12/05), A Light, empresa de distribuição de energia do Rio de Janeiro, entrou com pedido de falência. Um dos principais motivos foi a interferência das organizações criminosas nos negócios da empresa, o que levou a um descasamento entre despesas e receitas, e consequente aumento da perda de fluxo de caixa a ponto de a empresa não conseguir mais arcar com dívidas que hoje somam R$ 8.7 bilhões.
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Luz e o Crime Organizado
A Light é uma das maiores do gênero no país, fornece energia para 4.5 milhões de usuários no Rio de Janeiro, o sexto mercado consumidor desse segmento. No entanto, 20% de sua área de cobertura está em áreas dominadas pelo narcotráfico e pelo controle de milícias armadas. Em alguns locais, como a Zona Oeste, onde a milícia detém a maior parte do território, ela chega a conectar seus empreendimentos imobiliários clandestinos ao sistema da Light e cobra do consumidor final como se tivesse produzido a energia. Em áreas onde os cabos saem da distribuidora, a milícia cobra uma taxa adicional, o que acaba incentivando o cliente a desistir do serviço oficial.
Círculo vicioso
Quanto maiores as perdas com furto de energia, maiores os custos que precisam ser rateados entre os consumidores que pagam seus custos de energia adequadamente. O resultado é um aumento proporcional na conta de luz desses que pagam em dia para cobrir os prejuízos que a empresa tem.
Outros problemas
A empresa enfrenta muitos outros problemas, como clientes inadimplentes, roubo de energia não ligada ao crime organizado e muito mais. No entanto, os prejuízos impostos à empresa pelo crime organizado são o aspecto mais evidente do extenso endividamento da distribuidora de energia, que levou a holding a entrar com pedido de recuperação judicial.
Perda Anual Média
Devido ao alto custo de furto e inadimplência de energia, empresa consome mais recursos do que consegue arrecadar. São cerca de R$ 800 milhões por ano. A empresa registrou no balanço financeiro do terceiro trimestre que tinha uma dívida de R$ 8.7 bilhões.
Solução
Todas as soluções que forem debatidas terão que enfrentar os mesmos problemas que levaram à situação atual. Assim, especialistas do mercado acreditam que será necessário criar um modelo de concessão específico para áreas de criminalidade no Rio de Janeiro. A avaliação dos especialistas é que o modelo padrão de regulação não funciona, e os prejuízos são altos e considerados insustentáveis para o investidor privado, o que aumenta a chance da Light reviver crises.
Entre o as sugestões avaliadas são a retirada de áreas controladas por gangues da concessão ou compensar as empresas de alguma forma por perdas, sem transferi-los para a conta de luz. Isso tornaria o custo proibitivo para o consumidor, o que agrava outro problema, a inadimplência.
Um problema nacional
O problema do furto de energia não está restrito ao Rio, cresceu em todo o país desde meados da década passada. Algumas distribuidoras de energia, como a distribuidora Amapá, e a Amazonas Energia, no Amazonas, enfrentam até problemas financeiros.
No topo da lista das concessionárias de energia mais afetadas por furto de energia, caso mais grave é no Amazonas. Em 2021, as perdas não técnicas, popularmente conhecidas como “gatos” (gatos), representou 122% da energia distribuída pela Amazonas Energia ao consumidor regular.
Perdas com furto de energia afetam consumidores e empresas. No caso de furto, hoje, 70% das perdas financeiras são repassadas para a tarifa do cliente regular, os outros 30% são assumidos pela distribuidora.
A agência reguladora Aneel, calculou que, em 2022, o prejuízo com furtos chegou a R$ 5 bilhões, que representa cerca de 3%, em média, do valor da tarifa paga pelo consumidor.
Fonte: G1; O Globo; Folha de SP; G1 [1], [2].



