A polícia descobriu que traficantes que atuam no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro e controlado pelo Comando Vermelho (CV), adquiriram drones de grande porte capazes de transportar armas e drogas entre áreas dominadas pela facção. Segundo informações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública, a aeronave pode transportar até 80 quilos de carga — o equivalente a aproximadamente 20 fuzis FAL ou AR-15 — e tem um alcance operacional de voo de até 12 quilômetros.
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Imagens
Imagens de exercícios de treinamento envolvendo um dos veículos aéreos não tripulados foram capturadas por câmeras a bordo de uma aeronave da Polícia Militar. O equipamento, com aproximadamente três metros de comprimento, aparece cercado por pelo menos dez pessoas momentos antes da decolagem. O voo teria ocorrido em uma área aberta com poucas residências próximas, embora a data exata da gravação não tenha sido divulgada. De acordo com os investigadores, As sessões de treinamento são realizadas em áreas do Complexo do Alemão. A região, juntamente com o Complexo da Penha, é conhecida por concentrar alguns dos principais líderes do CV que permanecem foragidos.

Modelos agrícolas
Segundo investigações policiais, os drones adquiridos pela facção são modelos comerciais originalmente projetados para operações de pulverização agrícola e transporte de carga. As autoridades estimam que cada aeronave custe mais de R$ 200,000. Os investigadores acreditam que a autonomia do equipamento permitiria aos traficantes movimentar armas e entorpecentes entre diferentes territórios controlados pelo CV em todo o Rio de Janeiro. Do Complexo do Alemão, os drones poderiam atingir comunidades como Cidade de Deus, Jacarezinho, Complexo do Lins e Complexo do Chapadão.
Rio das Pedras
A aeronave também seria capaz de voar entre as comunidades de Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e Muzema, em Itanhangá. — áreas controladas pela facção e separadas por aproximadamente cinco quilômetros. Esses territórios são considerados estratégicos porque traficantes armados frequentemente partem deles em tentativas de invadir Rio das Pedras, comunidade historicamente considerada um dos berços das milícias cariocas. e que permanece sob o controle de grupos paramilitares.
Uso de Drones
Esta não é a primeira vez que traficantes no Rio de Janeiro utilizam drones em operações criminosas. Em outubro de 2025, durante uma operação policial no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, criminosos teriam usado drones menores para monitorar os movimentos de policiais civis e militares. Segundo as autoridades, o confronto durou aproximadamente nove horas. A operação terminou com 117 suspeitos e cinco policiais mortos durante os confrontos.
Análise:
A descoberta de que o Comando Vermelho está adquirindo drones de carga de grande porte representa uma evolução significativa na capacidade operacional do crime organizado no Rio de Janeiro. Diferentemente dos drones menores, usados anteriormente principalmente para vigilância e monitoramento da atividade policial, essas aeronaves introduzem a possibilidade de apoio logístico aéreo para o transporte de fuzis, munições e narcóticos por diversos territórios controlados pela facção. A capacidade de transportar até 80 quilos de carga por distâncias de até 12 quilômetros cria um novo desafio de segurança, pois reduz a dependência de rotas terrestres tradicionais, mais vulneráveis a postos de controle policiais e operações de inteligência.



