A inflação no Brasil acelerou de 0.44% em setembro para 0.56% em outubro, puxada pelos aumentos nas contas de luz e nos preços dos alimentos, como as carnes, que subiram 5.81% — o maior salto em quatro anos, segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE. Nos últimos 12 meses, o índice atingiu 4.76%, superando o teto da meta do Banco Central. Em resposta, o governo retomará as discussões esta semana sobre o pacote de gastos públicos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está retornando a Brasília para intensificar as negociações, com possíveis mudanças no seguro-desemprego e no abono salarial, que enfrentam resistência do presidente Lula. Além disso, o governo Lula prevê uma reconfiguração de sua coordenação política a partir de junho de 2025, com Gleisi Hoffmann deixando o cargo de presidente do PT e Lindbergh Farias devendo assumir a liderança da bancada petista na Câmara.
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Resultado Acumulado
Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4.76% — acima do teto da meta do Banco Central. A meta de inflação está centrada em 3%, com margem de tolerância de 1.5 ponto percentual para cima ou para baixo. A valorização do dólar influenciou a inflação; este ano, o dólar americano já subiu quase 17%. Apesar de uma previsão de safra recorde, o mercado espera que os preços dos alimentos subam acentuadamente em 2025 devido à taxa de câmbio e a um desequilíbrio entre oferta e demanda na agricultura.
Contenção de gastos
O governo federal retoma as reuniões na segunda-feira (11/11) para finalizar o pacote de contenção de gastos públicos, prometido há semanas pela equipe econômica e aguardado com ansiedade pelo mercado financeiro. As discussões sobre essas medidas, que visam garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal e da dívida pública, se intensificaram após o segundo turno das eleições municipais, embora o presidente Lula ainda não tenha se decidido. Entre as mudanças propostas estão o seguro-desemprego e o abono salarial, as despesas que mais crescem depois da Previdência Social, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Medidas prováveis
Apesar de alguns confrontos, como entre o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essas medidas têm mais chances de avançar. Para o seguro-desemprego, uma proposta é apertar as regras de acesso, limitar o número de parcelas — variando de três a cinco pagamentos com base nos anos de serviço — e definir um teto de renda de elegibilidade de até dois salários mínimos. A previsão é que essa política custe R$ 57 bilhões no ano que vem.
A Resistência de Lula
Uma questão não resolvida é se haverá mudanças no financiamento da saúde e da educação. Atualmente, elas são indexadas à receita, e uma proposta em discussão é limitar o crescimento dessas despesas aos mesmos índices do arcabouço fiscal — ou seja, no máximo 2.5% acima da inflação. Lula mostra maior resistência à desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo. A possibilidade de limitar o crescimento do salário mínimo ao marco fiscal, limitado a 2.5% acima da inflação, também foi discutida nas reuniões.
Mudanças na coordenação do governo
Os petistas e o governo Lula preveem uma mudança na relação partido-governo a partir de meados do ano que vem. A saída da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, previsto para junho, provavelmente aliviará a pressão sobre a gestão econômica e a coordenação política. Os dois favoritos para sucedê-la, Edinho Silva e José Guimarães, têm um estilo mais moderado do que Gleisi, que costuma ser veemente em suas críticas. Em contrapartida, espera-se tom mais assertivo na liderança da bancada petista na Câmara, onde Odair Cunha (MG), visto como moderado, será substituído pelo “radical” Lindbergh Farias (RJ).
Análise:
Para especialistas, a probabilidade de o IPCA fechar o ano acima do teto da meta de inflação sinaliza pressões estruturais e desafios para a política econômica do governo. A alta do dólar, que já registra ganhos significativos ante o real, aumenta os custos de produtos e insumos importados, impactando diretamente setores como alimentos, um dos principais componentes do índice.
A expectativa de uma bandeira verde para contas de energia elétrica pode aliviar a inflação temporariamente. No entanto, com a demanda por serviços ainda alta e os preços dos alimentos pressionados, principalmente devido aos efeitos cambiais e um possível desequilíbrio entre oferta e demanda agrícolas, o impacto desse alívio provavelmente será limitado.
Essas dinâmicas inflacionárias desafiam a política fiscal e monetária do governo, que deve equilibrar cortes de gastos com a necessidade de estimular a economia em um cenário de recuperação. Para o Banco Central, manter os juros altos se torna uma ferramenta cada vez mais necessária para conter a inflação, mesmo em meio às críticas de setores produtivos. Assim, ao longo dos próximos meses, será crucial observar a capacidade do governo de implementar reformas e ajustes que possam aliviar as pressões inflacionárias sem comprometer o crescimento econômico.
Fontes: G1 [1], [2]; O Globo [1], [2]; A Folha de SP [1], [2].



