O Escritório de Segurança Institucional (GSI), órgão federal responsável pela coordenação da segurança cibernética no governo brasileiro, identificou 6,774 incidentes cibernéticos que afetaram órgãos e entidades da administração pública até o início de junho de 2026. Isso corresponde a uma média de aproximadamente 45 incidentes por dia durante o período. Os dados foram obtidos do painel mantido pelo CTIR.Gov (Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos), vinculado ao GSI, que monitora ameaças direcionadas a sistemas de informação e infraestrutura digital do governo federal.
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Ataque recente
As estatísticas não incluem os falsos alertas de emergência emitidos pela Defesa Civil entre a noite de sexta-feira (19/06) e as primeiras horas de sábado (20/06), quando milhões de pessoas receberam notificações fraudulentas sobre eventos extremos. As mensagens continham a palavra “misantropia” ou variações como “misantropi4” — um termo que se refere a ódio, desconfiança ou desprezo pela humanidade — o que indicava que os alertas não eram legítimos. As autoridades continuam investigando a origem do incidente e se ele resultou de acesso não autorizado ou de outra forma de comprometimento do sistema.
Incidente cibernético
Um incidente cibernético é definido como qualquer tentativa de explorar vulnerabilidades que viole políticas de segurança estabelecidas ou comprometa — ou ameace comprometer — a disponibilidade, a confidencialidade ou a integridade de sistemas de informação. De acordo com o GSI (Global Security Initiative), os incidentes incluem infecções por malware, como vírus e ransomware; intrusões não autorizadas que podem levar a violações de dados; e ataques de engenharia social, nos quais cibercriminosos manipulam indivíduos para que realizem ações ou divulguem informações que facilitem o acesso não autorizado.
Engenharia social
Quase todos os incidentes cibernéticos registrados este ano envolveram engenharia social ou conteúdo abusivo. A engenharia social foi responsável por 3,307 casos, representando 48.8% de todos os incidentes relatados, enquanto o conteúdo abusivo totalizou 3,166 casos, equivalentes a 46.7% do total. Essa categoria inclui a distribuição de material não solicitado ou malicioso, campanhas de spam, deepfakes e a disseminação de conteúdo pessoal ou prejudicial.
Dados
Número de incidentes cibernéticos por ano:
- 2026: 6,774 (até o início de junho)
- 2025: 10,387
- 2024: 9,806
- 2023: 4,908
- 2022: 3,402
- 2021: 4,903
vulnerabilidades
Desde o início de 2026, o Escritório de Segurança Institucional (CTIR) identificou aproximadamente 14,000 vulnerabilidades em sistemas de informação governamentais — fragilidades de segurança que poderiam ser exploradas por agentes maliciosos. A maior categoria envolveu sistemas vulneráveis, totalizando 3,184 fragilidades identificadas. De acordo com o painel do CTIR.Gov, o número de vulnerabilidades que afetam sistemas do governo federal quase dobrou entre 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), e 2023, quando o presidente Lula (PT) retornou ao cargo, passando de 5,128 para 10,224. Em 2024, o total caiu para 5,115 vulnerabilidades, antes de subir novamente para 7,705 em 2025. Em 2026, janeiro registrou o maior número mensal, com 5,204 vulnerabilidades identificadas, seguido por março, com 2,521, e maio, com 2,262.
Análise:
Os dados divulgados pelo Escritório de Segurança Institucional sugerem que as ameaças cibernéticas se tornaram um desafio permanente e cada vez mais complexo para a administração pública brasileira. Uma média de 45 incidentes por dia demonstra que as redes governamentais estão sob constante pressão de agentes maliciosos que buscam explorar vulnerabilidades tecnológicas e humanas. A prevalência de casos de engenharia social é particularmente significativa, pois mostra que os atacantes frequentemente visam pessoas, e não apenas sistemas. Mesmo quando as organizações investem pesadamente em defesas técnicas, uma única tentativa bem-sucedida de phishing ou um funcionário manipulado pode fornecer acesso a redes e informações sensíveis.
Fontes: A Folha de SP.



