Desde o início da campanha em 16 de agosto até 3 de outubro, pelo menos 11 candidatos foram alvos de violência no estado do Rio de Janeiro. Em média, um incidente ocorre a cada quatro dias. Essa contagem, compilada por O GLOBO, inclui casos de agressão física, empurrões, insultos, ameaças, tiroteios e até homicídios. Muitos desses casos ainda estão sob investigação da Polícia Civil.
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Caso mais recente
O caso mais recente ocorreu na noite de segunda-feira (30/09), quando o carro blindado do candidato a vereador Ítalo Koster (PRD) foi atingido por tiros em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. De acordo com Koster, homens armados cercaram seu veículo e dispararam vários tiros, atingindo a janela da frente pelo menos três vezes. O candidato revelou que havia recebido ameaças recentemente. Por exemplo, em 17 de setembro, ele recebeu uma mensagem SMS alertando-o para se retirar da campanha em 48 horas ou enfrentar danos à sua família.
Baixada fluminense
Na madrugada desta terça-feira (01/10), em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, o candidato a prefeito Vinicius Crânio (PSOL) foi agredido por homens encapuzados. A agressão foi transmitida ao vivo na conta do candidato no Instagram e posteriormente compartilhada em suas plataformas de mídia social.
Outros casos
No 25 de setembro, O candidato a vereador João Fernandes Teixeira Filho, conhecido como Joãozinho Fernandes (Avante), foi morto a tiros no bairro Cacuia, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Esta foi sua primeira candidatura a uma cadeira na Câmara local. Em Tanguá, outro candidato a vereador, Welinton de Aguiar Mendonça, conhecido como Welinton do Uber (PSB), foi encontrado morto a tiros dentro de um carro no início de setembro.
Também em setembro, Gerson Cunha de Almeida Reis Filho (União), candidato à Câmara Municipal de Nova Iguaçu, relatou que seu carro blindado foi atingido por balas. No mesmo dia, a casa de Reginaldo Adelino Fortes, conhecido como Irmão Dino (PP), candidato em Duque de Caxias, também foi alvo de tiros.
Em outro caso de violência eleitoral, o candidato a vereador Leonel de Esquerda (PT) foi agredido no início do mês passado e teve que ser hospitalizado após confronto envolvendo o candidato a prefeito Rodrigo Amorim (União) na capital.
São Paulo
Em São Paulo, a Polícia Civil investiga um caso envolvendo disparos de arma de fogo contra o carro de uma vereadora candidata à reeleição. O ataque ocorreu na noite de quinta-feira (03/10) no Jardim São Luiz, localizado na zona sul da cidade. Segundo a polícia, dois criminosos em uma moto dispararam 11 tiros contra veículo de Janaína Lima (PP), que estava estacionado em frente a uma residência.
Análise:
A crescente violência contra candidatos no Brasil, como destacado nos incidentes recentes no Rio de Janeiro e em São Paulo, reflete desafios profundamente enraizados no tecido político e social do país. É crucial analisar não apenas o impacto imediato nos processos eleitorais, mas também as consequências sociais mais amplas.
A violência testemunhada variando de ameaças e ataques físicos a tiros e homicídios — cria uma atmosfera de medo e intimidação que prejudica o processo democrático. Quando candidatos, particularmente aqueles de partidos menores ou aqueles que representam grupos marginalizados, são alvos, isso limita a diversidade política e desencoraja a participação na política.
Socialmente, essa violência exacerba divisões existentes e alimenta uma cultura de medo. Comunidades onde candidatos são atacados ou ameaçados podem se sentir alienadas do processo político, aumentando a desconfiança no sistema.



