O Rio de Janeiro registrou, entre janeiro e maio de 2026, o menor número de roubos de rua dos últimos 21 anos e o menor índice de letalidade violenta para o período desde o início da série histórica, em 1991. A letalidade violenta inclui feminicídio, homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, mortes causadas por intervenções de agentes do Estado e roubo seguido de morte. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (17/06) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Ao mesmo tempo, os dados revelam um aumento nos furtos de veículos e cargas no mesmo período, dois crimes que têm sido cada vez mais associados às atividades de grupos criminosos organizados que atuam em todo o estado.
Este conteúdo é apenas para assinantes
Para desbloquear este conteúdo, assine Relatórios INTERLIRA.
Assaltos de Rua
Os roubos de rua — que incluem roubos a pedestres, celulares e passageiros de transporte público — totalizaram 20,877 ocorrências nos primeiros cinco meses de 2026, representando uma queda de 19.7% em comparação com o mesmo período de 2025. Em maio, foram registrados 4,177 casos, uma redução de 13.3% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o menor número para o mês desde 2020. Entre as regiões do estado, Niterói registrou a maior redução nesse tipo de crime no acumulado do ano, com 276 ocorrências a menos, o que equivale a uma queda de 44.8%. Em contrapartida, Magé registrou o maior aumento proporcional, passando de 104 para 136 casos, um acréscimo de 30.8%.
Crimes Contra a Vida
A tendência de queda também se refletiu nos crimes contra a vida. A letalidade violenta — que engloba homicídios dolosos, feminicídios, roubos com resultado em morte, lesões corporais com resultado em morte e mortes causadas por intervenções de agentes do Estado — totalizou 1,528 vítimas entre janeiro e maio, representando uma redução de 10.2% em comparação com o mesmo período de 2025. Este foi o menor número registrado para o período desde o início da série histórica, em 1991. Em maio, a letalidade violenta contabilizou 275 vítimas, uma redução de 11.3% em comparação com o mesmo mês do ano anterior e o menor nível para o mês desde 1991. Os homicídios dolosos totalizaram 1,137 vítimas durante os primeiros cinco meses do ano, uma redução de 9.6%, enquanto as mortes resultantes de intervenções de agentes do Estado caíram 11.7%, para 294 casos, o menor número para o período desde 2014. Os feminicídios totalizaram 37 vítimas, cinco a menos do que o registrado no mesmo período de 2025.
Roubo de carga
Em contrapartida, o roubo de cargas continuou a aumentar ao longo do ano. Um total de 1,576 incidentes foram registrados entre janeiro e maio de 2026, representando um aumento de 20.9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do aumento geral, maio registrou 198 incidentes de roubo de carga, uma redução de 24.1% em relação a maio de 2025 e o menor número registrado para o mês desde 1999.
Roubo de veículos
Os roubos de veículos também apresentaram um aumento significativo. Entre janeiro e maio, as autoridades registraram 12,104 ocorrências, um aumento de 23% em comparação com o mesmo período de 2025. Em maio, foram relatados 1,796 roubos de veículos, representando um aumento de 6.4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, quando comparado a abril de 2026, o indicador apresentou uma queda de 29.5%, sugerindo uma desaceleração no ritmo de crescimento observado no início do ano.
Análise:
Os indicadores de segurança mais recentes do Rio de Janeiro revelam uma realidade complexa e, em alguns aspectos, contraditória. A redução nos roubos de rua e na letalidade da violência sugere que as estratégias de segurança pública, as operações de inteligência e as intervenções direcionadas podem estar produzindo resultados mensuráveis em crimes que têm o maior impacto direto na percepção pública de segurança. A queda nos homicídios, nas mortes relacionadas à polícia e nos roubos com vítimas fatais é particularmente significativa, pois esses indicadores são tradicionalmente usados para avaliar a eficácia geral das políticas de segurança pública. Se mantidos, esses números podem fortalecer o argumento de que o Estado obteve maior controle sobre confrontos violentos e atividades criminosas letais.
Ao mesmo tempo, o aumento acentuado nos roubos de veículos e cargas aponta para a crescente adaptabilidade dos grupos criminosos organizados. Diferentemente dos roubos de rua, esses crimes frequentemente envolvem logística mais sofisticada, coleta de informações e redes de distribuição estabelecidas, capazes de monetizar os bens roubados. Em muitos casos, os roubos de veículos e cargas estão diretamente ligados às estruturas de financiamento de facções criminosas, que utilizam essas atividades para diversificar suas fontes de renda além do tráfico de drogas.
Fontes: Extra.



