Resumo
Em 2025, o cenário da segurança pública no Brasil foi marcado por transformações significativas, particularmente em grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo.. O ano tendências consolidadas que vêm se desenvolvendo ao longo da última década, ao mesmo tempo que expõem novas camadas de complexidade na atividade criminosa e nas respostas do Estado.Três dinâmicas interligadas se destacaram. Primeiro, os crimes e golpes digitais cresceram rapidamente, tornando-se uma das formas mais disseminadas de vitimização. Segundo, o crime organizado continuou a se expandir e diversificar, fortalecendo seu controle territorial e aprofundando sua presença nas estruturas jurídicas, financeiras e políticas. Por fim, as instituições responderam por meio de operações policiais em larga escala, iniciativas legislativas e investimentos crescentes em tecnologias de vigilância, reformulando o debate sobre segurança, governança e direitos.
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Golpes
Em 2025, foi fundada a A fraude digital consolidou-se como uma das formas de crime mais disseminadas e impactantes no Brasil, remodelando os padrões de vitimização e desafiando as respostas tradicionais da segurança pública.Ao longo do ano, o Brasil viu Um aumento acentuado e contínuo nos golpes digitais, consolidando a fraude cibernética como um dos fenômenos criminosos de crescimento mais rápido no país.Dados e análises publicados em 2025 destacam uma clara migração da atividade criminosa das ruas para o ambiente digital. Enquanto estados como São Paulo continuaram a registrar quedas em diversas categorias de crimes violentos e contra o patrimônio, fraudes, golpes online e crimes financeiros cibernéticos expandiram-se em larga escala, impulsionados por baixos custos operacionais, altos retornos financeiros e menor exposição a riscos físicos.

O ano foi marcado pela consolidação de esquemas recorrentes, incluindo fraudes relacionadas ao PIX, manipulação de máquinas de cartão, phishing e campanhas de smishing. , lojas online falsas, golpes de investimento e falsificação de identidade de bancos, plataformas de entrega e agências governamentais. Turistas e residentes estrangeiros no Rio de Janeiro e em São Paulo emergiram como alvos particularmente vulneráveis, frequentemente devido a barreiras linguísticas, desconhecimento dos sistemas de pagamento brasileiros e dependência de serviços bancários móveis e digitais. Para obter informações sobre como se proteger e como agir em caso de tentativa ou consumação de fraude, clique aqui.
Outra tendência marcante do ano foi a crescente profissionalização do crime digital. Investigações e relatórios apontaram para o envolvimento mais profundo de grupos criminosos organizados, particularmente estruturas ligadas ao Primeiro Comando da Capital. (PCC, Primeiro Comando da Capital) — em operações de fraude em larga escala. Esses grupos adotaram cada vez mais modelos semelhantes aos de empresas, funções especializadas e mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, reforçando a convergência entre o crime organizado e o cibercrime.
Numa perspectiva mais ampla, 2025 reforçou uma mudança estrutural na segurança pública. Mesmo com a queda nos indicadores de criminalidade nas ruas, a vitimização digital tornou-se contínua, sem fronteiras e potencialmente mais prejudicial. A expansão de golpes assistidos por IA e ataques cibernéticos automatizados aumentou ainda mais a pressão sobre as agências de aplicação da lei, acelerando a necessidade de especialização, capacidade tecnológica e novos modelos de investigação.
Crime Organizado e Controle Territorial
As O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 confirmou a continuidade de uma tendência de longo prazo de queda na violência letal.. em Em 2024, o Brasil registrou 44,127 homicídios violentos dolosos, o que corresponde a uma taxa de 20.8 por 100,000 mil habitantes — uma redução de 5.4% em comparação com o ano anterior. e o nível mais baixo desde 2012. Entre 2012 e 2024, o declínio acumulado atingiu 25%, com reduções observadas em todas as regiões do país. No entanto, essa tendência nacional mascara acentuadas disparidades regionais: enquanto o Sudeste atingiu mínimas históricas, o Nordeste e partes do Norte continuaram a registrar taxas de homicídio significativamente mais altas, com alguns estados ultrapassando 40 mortes por 100,000 mil habitantes.
Além das políticas de segurança pública baseadas em evidências, das mudanças demográficas e das medidas de controle de armas, a dinâmica do crime organizado desempenhou um papel decisivo na configuração dos padrões de violência. A consolidação de monopólios territoriais por organizações criminosas — principalmente o PCC em São Paulo e o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro e em diversos estados do norte — reduziu a frequência de confrontos armados abertos. Essa relativa “pacificação” dos conflitos contribuiu para a redução das taxas de homicídio, mesmo com a expansão da governança criminal e do controle coercitivo nesses territórios.

Em 2025, a expansão do Comando Vermelho tornou-se uma característica definidora do cenário de segurança, combinando o crescimento territorial com a diversificação financeira. A organização afastou-se cada vez mais da sua dependência tradicional do tráfico de drogas e armas, passando a explorar sistematicamente os serviços impostos aos residentes das áreas controladas. Extorsão, distribuição de gás, taxas de proteção, serviços ilegais de internet e televisão por cabo, empresas de fachada para lavagem de dinheiro e investimentos financeiros representam agora uma parte significativa das receitas. Este modelo de negócio recompensa a expansão territorial e o número de pessoas sob controlo, reforçando os incentivos à dominação espacial.
Olhando para o futuro, essas tendências apontam para o fortalecimento da base financeira do crime organizado, a expansão da apropriação de recursos e a crescente pressão sobre as autoridades para intensificar as investigações e operações focadas na lavagem de dinheiro e nas redes financeiras ilícitas.
As barricadas, especialmente na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, permaneceram como instrumento central de controle territorial, restringindo a circulação, prejudicando a mobilidade urbana e obstruindo o acesso a serviços essenciais. O uso de drones por facções criminosas evoluiu de uma tática futurista para uma estratégia central de defesa e ataque. Grupos como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro (TCP) estão cada vez mais adaptando tecnologia de consumo para estabelecer “superioridade aérea” sobre as forças de segurança, principalmente nas favelas do Rio de Janeiro.
Política de Grandes Operações
As operações policiais em larga escala permaneceram uma característica definidora da política de segurança pública em 2025, refletindo a persistência de um modelo baseado no confronto, em vez de uma mudança na orientação estratégica.Em 2025, as operações policiais em larga escala nos principais centros urbanos do Brasil desempenharam um papel central na política de segurança pública, particularmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Essas ações refletiram uma estratégia oficial centrada no controle territorial e no confronto com o crime organizado, ao mesmo tempo que intensificaram os debates nacionais sobre eficácia, proporcionalidade e consequências a longo prazo.
As O caso mais emblemático ocorreu nos aglomerados de favelas do Complexo da Penha e do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em outubro, quando as autoridades lançaram uma operação massiva visando áreas sob influência do Comando Vermelho.A ação mobilizou milhares de policiais militares e civis para executar mandados de prisão e busca em diversas comunidades, marcando um dos maiores esforços policiais coordenados da história do estado. A operação resultou em um elevado número de mortes, prisões e apreensões de armas, atraindo ampla atenção da mídia, da sociedade civil e de atores políticos.Embora as autoridades estaduais tenham defendido a operação como necessária para enfraquecer as estruturas de comando do crime organizado e restaurar o controle, os críticos questionaram sua execução e seus resultados, apontando para a alta letalidade e as evidências limitadas de uma interrupção duradoura das redes criminosas.

Ao longo do ano, O Rio de Janeiro também realizou diversas outras operações de grande escala com o objetivo de desmantelar barricadas, prender líderes de facções e interceptar o fluxo de drogas e armas.Essas ações frequentemente resultavam na suspensão de serviços públicos, fechamento de escolas e interrupções em importantes vias de transporte, afetando não apenas os moradores das comunidades visadas, mas também as pessoas que se deslocavam diariamente pelas áreas vizinhas.
Em São Paulo, as principais operações seguiram um padrão diferente, com maior ênfase em investigações baseadas em informações de inteligência. As ações policiais concentraram-se na logística do crime organizado, incluindo tráfico de armas, crimes financeiros e estruturas de comando e controle ligadas ao PCC. Embora geralmente menos letais do que as operações no Rio, essas iniciativas ainda suscitaram debates sobre a responsabilização policial e o alcance dos poderes de aplicação da lei.
A escala e a recorrência de grandes operações policiais em 2025 refletiram a continuidade de uma política de segurança de longa data centrada no confronto territorial e na aplicação da lei de alto impacto. Em vez de sinalizar uma mudança estratégica, as ações observadas no Rio de Janeiro e em São Paulo seguiram um padrão nacional estabelecido que tem moldado as respostas de segurança pública há anos. O apoio político contínuo e a confiança institucional nesse modelo ao longo do ano sugerem que ele continuará sendo uma referência central para o policiamento em nível estadual nas maiores áreas metropolitanas do Brasil.
Tecnologia e Vigilância Urbana
A expansão das tecnologias de vigilância tornou-se um dos principais pilares das estratégias de segurança urbana em 2025.Refletindo tanto a adaptação institucional a padrões complexos de criminalidade quanto as crescentes tensões sobre direitos e fiscalização, em 2025 as políticas de segurança urbana no Brasil incorporaram cada vez mais soluções tecnológicas, à medida que tanto autoridades públicas quanto atores privados expandiram seus investimentos em sistemas inteligentes de monitoramento. A inteligência artificial, as câmeras inteligentes, os drones e as ferramentas de vigilância automatizadas tornaram-se componentes centrais das estratégias de prevenção e investigação criminal, particularmente em grandes áreas metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro.Essas tecnologias foram promovidas como multiplicadoras de força, capazes de ampliar a presença do Estado em ambientes urbanos complexos.
São Paulo destacou-se pela rápida expansão de sistemas integrados de vigilância, incluindo reconhecimento facial, câmeras com inteligência artificial e plataformas de compartilhamento de dados que interligam órgãos municipais e forças policiais.O sistema de segurança SmartSampa, em São Paulo, tornou-se emblemático dessa abordagem, levando à prisão de suspeitos procurados e à identificação de pessoas dadas como desaparecidas. Ao mesmo tempo, esses sistemas geraram debates públicos após casos de identificação equivocada e preocupações com a transparência, a supervisão e o viés algorítmico.

O Rio de Janeiro seguiu um caminho diferente. Embora a cidade e o estado tenham expandido suas redes de câmeras e aumentado o uso de drones, o modelo dependia mais do Centro de Operações (CO) e do monitoramento em tempo real do que da identificação biométrica em larga escala.Esse contraste evidenciou escolhas distintas de governança: São Paulo priorizou a automação e as ferramentas biométricas, enquanto o Rio enfatizou a coordenação centralizada e o conhecimento situacional.
Olhando para o futuro, a crescente presença de sistemas de vigilância inteligentes provavelmente continuará a se expandir.No entanto, essa trajetória permanece indissociável das tensões contínuas em torno da privacidade, da proteção de dados e do potencial uso indevido de tecnologias de vigilância. Garantir a conformidade com o marco de proteção de dados do Brasil, juntamente com mecanismos claros de governança e responsabilização, continuará sendo um desafio crucial à medida que as cidades aprofundam sua dependência de ferramentas de monitoramento digital.

Paralelamente à expansão da infraestrutura de vigilância fixa, Em 2025, também se observou o crescente uso operacional de drones durante grandes eventos públicos.As autoridades passaram a depender cada vez mais do monitoramento aéreo para auxiliar no gerenciamento de multidões, detectar incidentes em tempo real e aprimorar o conhecimento da situação em ambientes de alta densidade populacional. Eventos de grande repercussão, como as celebrações do Carnaval e o show da Lady Gaga na praia de Copacabana, ilustraram como os drones foram utilizados para monitorar o fluxo de pessoas, identificar potenciais riscos à segurança e coordenar respostas rápidas entre diferentes agências. O uso de drones ofereceu maior flexibilidade do que câmeras estáticas, permitindo que as equipes de segurança adaptassem a cobertura às mudanças de condições. Para retomar o controle do espaço aéreo e proteger o pessoal em terra, as autoridades brasileiras também iniciaram um ciclo de investimentos maciço em Sistemas de Contramedidas a Aeronaves Não Tripuladas (C-UAS). A partir de 2026, a estratégia está mudando de simples operações terrestres para guerra eletrônica integrada.
Política, instituições e crime organizado
Em 2025, a agenda de segurança pública do Brasil foi fortemente influenciada por revelações sobre a profundidade da penetração do crime organizado nas esferas política, financeira e institucional.. Embora a expansão territorial e a diversificação econômica de organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) viessem se desenvolvendo há anos, o ano passado marcou um ponto de virada em termos de visibilidade. Investigações coordenadas, lideradas pela Polícia Federal, pela Receita Federal e por procuradores públicos, revelaram a profundidade da infiltração desses grupos nas cadeias de suprimentos legais, nas estruturas financeiras e nas redes políticas.
A prisão do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, tornou-se um dos casos mais emblemáticos dessa intersecção entre crime, negócios e política. Detido durante uma operação conjunta envolvendo autoridades judiciais federais e do estado do Rio de Janeiro, O deputado estadual do Rio de Janeiro foi acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas e acessórios para o CV (Centro de Valorização da Vida).Os investigadores alegaram que sua joalheria funcionava como fachada financeira e logística, facilitando transações ilícitas e a aquisição de armas de fogo. O caso intensificou o debate público sobre a infiltração política por organizações criminosas, ilustrando como autoridades eleitas podem servir como intermediários estratégicos, oferecendo proteção, legitimidade e acesso a canais institucionais.

Um padrão semelhante emergiu em investigações direcionadas ao PCC.A Operação Carbono Oculto, descrita pelas autoridades como a maior operação já realizada contra o crime organizado no Brasil, mobilizou aproximadamente 1,400 agentes em oito estados. A investigação A investigação revelou um esquema bilionário centrado no setor de combustíveis, envolvendo sonegação fiscal superior a R$ 7.6 bilhões, adulteração de combustíveis, crimes ambientais e sofisticadas estruturas de lavagem de dinheiro.A operação revelou como a PCC se inseriu nas cadeias de importação e exportação, nas redes de fornecimento de produtos químicos, nas plataformas fintech e nos fundos de investimento, financiando ativos que variam de distribuidores de combustível a usinas de etanol e terminais portuários.

Em conjunto, esses casos indicaram que um desafio fundamental reside em combater o enraizamento estrutural do crime organizado nos sistemas jurídico, político e econômico. A exposição alcançada em 2025 aumentou as expectativas de respostas institucionais sustentadas e coordenadas, sugerindo que os futuros esforços de fiscalização dependerão cada vez mais de inteligência financeira, supervisão regulatória e responsabilidade política, em vez de apenas do policiamento tradicional.
Conclusão
Os desdobramentos observados ao longo de 2025 refletem uma profunda transformação no cenário da segurança pública brasileira. A atividade criminosa tornou-se cada vez mais interconectada, híbrida e diversificada, combinando controle territorial, sofisticação financeira e operações digitais. Os grupos do crime organizado demonstraram capacidade de operar simultaneamente em espaços físicos, ambientes online e setores econômicos formais, reduzindo sua dependência da violência tradicional nas ruas e ampliando seu alcance e resiliência.
Em resposta, as autoridades estaduais intensificaram os investimentos em capacidade de aplicação da lei, operações policiais de grande escala, tecnologias de vigilância e marcos regulatórios. O uso ampliado de policiamento orientado por inteligência, investigações financeiras e monitoramento digital refletiu os esforços para adaptar as instituições a estruturas criminais mais complexas. Ao mesmo tempo, a persistência de operações de alto impacto e a crescente dependência de ferramentas tecnológicas expuseram as compensações estruturais entre controle imediato, governança de longo prazo e capacidade institucional.
O ano também mostrou o quão profundamente a segurança pública se entrelaçou com a dinâmica política. Investigações que revelaram a infiltração criminosa em empresas, sistemas financeiros e instituições políticas alimentaram debates sobre responsabilidade, governança e integridade institucional. À medida que a política de segurança se cruza cada vez mais com a regulação econômica, a supervisão tecnológica e as disputas políticas, o principal desafio reside em equilibrar a aplicação da lei com as salvaguardas democráticas e a inovação com a legitimidade, em um contexto no qual as fronteiras entre o controle do crime e a resiliência institucional continuam a se estreitar.
O phishing utiliza e-mails para enganar as vítimas e levá-las a revelar informações, enquanto o smishing é um tipo de phishing que usa mensagens de texto SMS ou WhatsApp, ambos com o objetivo de roubar dados por meio de links falsos ou solicitações urgentes, mas o smishing tem como alvo específico usuários de dispositivos móveis via SMS, muitas vezes se passando por serviços de entrega ou bancos para obter ação imediata.



