Em meio às eleições municipais, a Guarda Civil, de responsabilidade das prefeituras, voltou ao centro do debate, com propostas para aumentar seu efetivo e armamento . Em três anos, por exemplo, a Prefeitura de São Paulo triplicou seus gastos com a compra de fuzis . Apesar disso, o número de horas de treinamento com armas de fogo para os guardas ainda é inferior ao da Polícia Militar.
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Horas de treinamento
Uma pesquisa realizada pelo G1, com base em dados fornecidos pelas prefeituras e pela Polícia Militar, concluiu que a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e a Guarda Civil Municipal das seis maiores cidades da Grande São Paulo realizam, em média, menos da metade do total de horas de treinamento com armas de fogo da Polícia Militar do estado: 46%.
Segundo a Polícia Militar, durante as 52 semanas de treinamento inicial da corporação, os policiais passam por 326 horas de Tiro Defensivo. A média para guardas civis é de 150 horas, considerando o tempo de treinamento nas cidades de São Paulo, Diadema, Guarulhos, Mauá, Osasco, Santo André e São Bernardo do Campo.
Problemas recentes
Em agosto, uma jovem de 17 anos foi baleada por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) enquanto estava na garupa de uma motocicleta , que era perseguida pelos agentes da GCM. O incidente ocorreu em Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo . Na delegacia, os agentes da GCM apresentaram outra versão dos fatos. Disseram que a viatura da GCM estava em patrulha quando passou por alguns motociclistas e que, naquele momento, ouviram barulhos e viram um clarão que pareceu ser um disparo. Os agentes atiraram e fugiram.
Armas de guerra
A cidade de São Paulo triplicou seus gastos com a compra de fuzis em três anos , segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). As primeiras compras ocorreram em 2021, com a aquisição de 11 fuzis por R$ 128,365.16. No ano passado (2023), a Secretaria Municipal de Segurança Urbana investiu R$ 478,451.96 na aquisição de 41 fuzis.
Ação na Cracolândia
Em junho deste ano, uma decisão judicial, baseada em denúncia do Ministério Público, proibiu a GCM de atuar como polícia em Cracolândia . Segundo o MP-SP, durante a operação, a GCM montou uma blitz para revistar os pertences pessoais dos usuários, como mochilas, bolsas e malas. As abordagens foram feitas de forma brutal e agressiva às pessoas que circulavam pela região . Em 2023, o Supremo Tribunal Federal reconheceu o papel dos agentes no patrulhamento urbano e autorizou abordagens e buscas em locais suspeitos.
Análise:
O número de horas de treinamento de armas para policiais no Brasil é considerado insuficiente por especialistas em segurança pública, como o Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos (CESDH). Esse déficit está diretamente relacionado ao orçamento disponível, uma vez que o custo da munição é alto, em torno de R$ 7 por unidade. O ideal é que cada policial em treinamento dispare no mínimo 3,000 tiros, o que implica em um custo significativo, principalmente em instituições como a Polícia Militar e a Guarda Municipal de São Paulo, que contam com grande efetivo. No entanto, o governo tem demonstrado resistência em investir adequadamente nesse tipo de treinamento, comprometendo a qualificação dos policiais.
Além do déficit de treinamento, a compra de armamento pesado por administrações públicas, como a Prefeitura de São Paulo, reflete uma tendência mais ampla nas políticas de segurança no Brasil. Uma mudança introduzida durante o governo de Jair Bolsonaro transferiu o controle da compra de armamento pesado do Exército para as administrações municipais, permitindo maior acesso a esses equipamentos. Ao mesmo tempo, o número de policiais militares diminuiu 6.8% na última década, enquanto o número de Guardas Municipais aumentou 23.5%, destacando a crescente pressão sobre os prefeitos para lidar com a criminalidade e a violência em suas cidades.



