Policiais confirmaram a recuperação de 17 metralhadoras das 21 roubadas do Arsenal do Exército em Barueri, na Grande São Paulo. Oito foram encontrados no Rio de Janeiro, em área controlada pelo Comando Vermelho (CV) e 9 foram encontrados em São Roque, interior paulista.
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O caso
Segundo a corporação, durante vistoria realizada na última terça-feira (10/10) em seu Arsenal de Guerra, os militares perceberam o desaparecimento de treze metralhadoras calibre .50 e outras oito metralhadoras calibre 7.62. As metralhadoras .50 são conhecidas por terem poder de fogo e alcance para derrubar até mesmo uma aeronave. Todas as armas tomadas não estavam operacionais, mas poderia passar por manutenção. Este é o maior desvio de armas registrado pelo Exército Brasileiro desde 2009, quando o Instituto Sou da Paz passou a realizar esse tipo de pesquisa.
As armas tomadas
O Comando Militar do Sudeste (CMSE) informou que foram levadas 8 armas calibre 7.62 e 13 calibre .50 – uma das armas de guerra mais poderosas e capaz de abater aeronaves. Eles têm capacidade de disparar 600 tiros por minuto e alcance de mais de 3.5 quilômetros.
Militares Aquartelados
Na terça-feira (17/10), o Exército decidiu permitir a saída de 320 militares detidos do quartel de Barueri, na Grande São Paulo. Aproximadamente 160 soldados permanecem estacionados. O Exército decidiu manter retidos esses outros militares, que representam quase 1/3 da tropa, como medida necessária para que eventualmente possam ser ouvidos na investigação.
Comando do Exército
Membros da liderança militar do Exército veem a participação de pessoas de dentro em facilitar o roubo das metralhadoras como praticamente certo.
Oferta ao tráfico de drogas
As 21 metralhadoras de grosso calibre roubadas do quartel de Barueri, na Grande São Paulo, foram oferecidos à maior facção criminosa do Rio de Janeiro. Fontes da mídia apuraram que a Polícia Civil do RJ teve acesso a um vídeo com a imagem de quatro metralhadoras sendo exibida a um potencial comprador carioca. De acordo com as investigações, a oferta de armas ocorreu há pouco mais de um mês, após o feriado de 7 de setembro. O grupo que roubou as metralhadoras pediu R$ 180,000 mil por cada arma.
A oferta pelas armas foi feita ao traficante William de Souza Guedes, conhecido como Corolla, criminoso que atualmente comanda o Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio e é um dos homens de confiança dos líderes da facção Comando Vermelho (CV).
As investigações começam a produzir resultados
O exército tem já foram identificados suspeitos de facilitar o desaparecimento de 21 metralhadoras do quartel militar de Barueri. Segundo o G1, as investigações militares restringem cada vez mais o número de pessoas que podem estar envolvidas no desaparecimento de armas — e todos os militares que foram responsáveis pela supervisão ou controle serão responsabilizados e enfrentarão punições disciplinares. A expectativa do Exército é que isso aconteça em breve. Os militares identificados já receberam os formulários de investigação de transgressão para procederem à sua defesa. A investigação está investigando o participação de três soldados que teriam sido cooptados pelo crime organizado.
Oito armas encontradas
Foram encontradas oito das 21 metralhadoras do Exército roubadas do Arsenal de Guerra do Quartel em Barueri, em São Paulo quinta-feira (19/10) na entrada do Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio. A apreensão de 4 metralhadoras .50 e mais 4 MAGs, calibre 7.62, foi feita por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do RJ, com apoio da Inteligência do Exército. Ninguém foi preso. Eles seriam usados na disputa entre facções que aterroriza a região de Jacarepaguá há quase um ano.
Nove encontrados em São Paulo
Na noite de sexta-feira (20/10), nove armas roubadas do quartel do Exército foram encontradas tardiamente pela Polícia Civil escondidas na lama em área de mata em São Roque. As armas foram jogadas em uma poça de lama por um grupo de contrabandistas após perceberem que uma patrulha policial vinha atrás deles. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, todas as armas roubadas seriam enviadas e vendidas para facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o CV.
Análise:
Para fins comparativos, segundo o Instituto Sou da Paz, entre janeiro de 2015 e março de 2020, 27 armas do Exército foram furtadas, roubadas ou desviadas no Brasil. O último grande desvio do Exército foi o de sete fuzis calibre 7.62 desviados de um batalhão em Caçapava em 2009, também em São Paulo. Dessa vez, todas as armas foram recuperadas. O desvio atual, porém, é muito mais grave, não só pela quantidade de armas tomadas de uma só vez, mas pelo seu poder de fogo. Essas metralhadoras são armas automáticas usadas para perfurar armaduras. O seu desvio demonstra um controlo precário dos arsenais. O Exército precisará do apoio da polícia para recuperar rapidamente essas armas, identificar e punir os responsáveis, mas acima de tudo, corrigir os procedimentos de segurança para evitar outros incidentes como este. Além disso, estas armas roubadas representam um sério risco para a população e para as forças policiais quando estão nas mãos do crime organizado.



