O processo de Ministério da Justiça confirmado na quarta-feira (11/10) o envio de 300 agentes da Força Nacional ao estado do Rio de Janeiro. O anúncio vem logo depois O governador do estado, Cláudio Castro, solicitou ao governo federal o reforço dos agentes de patrulhamento das estradas e rodovias do estado. A administração estatal procura bloquear a entrada de armas e drogas e, assim, conter o crime organizado. A informação do envio foi confirmada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli.
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Operação em Rodovias
O Ministério da Justiça confirmou o envio de agentes da Força Nacional ao Rio de Janeiro, reforçando que eles atuarão prioritariamente nas rodovias federais sob a coordenação da Polícia Rodoviária Federal. Ele disse ainda que o planejamento está sendo feito em parceria com o governo do Rio de Janeiro. A intenção, segundo o governador, é bloquear a entrada de armas e drogas, bem como a circulação de criminosos. O anúncio foi feito após reunião entre Castro e o procurador-geral do Rio, Luciano Mattos, quando os dois discutiram formas de atuação conjunta no combate ao crime, entre as forças de segurança do Estado e o Ministério Público.
Modelo escolhido
O governo federal definiu o modelo de atuação da Força Nacional no combate ao crime no Rio de Janeiro. A Força Nacional funcionará sob a supervisão da Polícia Rodoviária Federal. Não haverá comando compartilhado com forças estatais e muito menos operações conjuntas em favelas, por exemplo. O governo federal vai atuar nas estradas, nos aeroportos, reforçar o setor de inteligência da Polícia Federal e pedir ajuda da Marinha para controlar os portos e a Baía de Guanabara. O a modelagem do uso das forças federais foi feita com cuidado, para evitar associar a imagem de reforço federal à política de segurança do governo Cláudio Castro. Foram três riscos avaliados pelo governo nos estudos para ajudar o Rio:
- Primeiramente, a liderança do governo federal avaliou que a atuação conjunta entre a Força Nacional e a polícia estadual faria com que o governo petista se tornasse parceiro da polícia de segurança de Castro.
-O segundo fator foi o conclusão de que não havia condições de comando compartilhado entre os governos federal e estadual, devido à “infiltração do crime” na polícia. O combate à corrupção policial nunca foi uma prioridade no estado do Rio.
-Terceiro, o Ministério Público Federal questionou o secretário executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Capelli, se o envio de 300 homens da Força Nacional estaria dentro das diretrizes da constituição, que garante o monopólio da força ao Estado, mas também o direito à vida da população civil que vive em áreas dominadas pelo crime. Como não houve tempo para cumprir as exigências, avaliou-se que havia um risco jurídico muito elevado para Capelli.
Momento do Governador do Estado
O revés de Cláudio Castro ocorre em um momento delicado, quando ele está cercado pelos próprios aliados na Assembleia Legislativa. Deputados da base aliada exigem o controle da Segurança Pública, num movimento que já foi apelidado pela oposição de Novo Cangaço. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, é quem comanda a tropa para assumir a Secretaria de Segurança.
Transferência de Criminosos
Durante a reunião com o procurador-geral do Rio, Castro discutiu medicamentos conjuntos. Um deles será a transferência de dirigentes de organizações criminosas dos presídios estaduais para unidades federais. A outra seria alguma medida para reprimir financeiramente estes gangues, incluindo combater aqueles que lavam dinheiro para eles. Em relação à transferência de presos, ainda não há lista nem data para que isso aconteça. Os nomes serão repassados pela polícia ao Ministério Público, para análise individual de cada caso. Castro disse que a participação do MP neste trabalho é fundamental para que, no futuro, a legalidade das transferências não seja questionada.
Análise:
A operação anunciada pelo governo local segue os modelos de operações anteriores já implementadas no Rio de Janeiro em períodos anteriores de crise: reforço no quadro de pessoal, equipamentos adicionais e foco especial em algumas áreas, que serão alvo de sucessivas operações policiais. Todos eles tiveram resultados de curta duração. Ao repetir a mesma tática, o atual governo estadual espera obter resultados diferentes. Este resultado é diferente. Os criminosos aprenderam a se adaptar à intensificação das operações, deslocando-se para outras áreas do estado ou mesmo para outros estados. Além disso, o confronto armado tem resultados limitados, com baixos impactos financeiros para as gangues. Finalmente, as autoridades não parecem dispostas a corrigir uma série de questões já verificadas nas forças policiais, como o aumento da corrupção e das ineficiências.



