O recém-empossado ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, herdou de seu antecessor, Flávio Dino, uma pasta com política de controle de armas ainda em elaboração e com a Polícia Federal sem estrutura para receber Coletores, Atiradores Esportivos e Caçadores (CACs).
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Além disso, a nova administração chega com uma promessa que não foi cumprida pela anterior: a recompra de armas. O programa está previsto no novo decreto sobre armas e tem como objetivo incentivar a população a entregar voluntariamente suas armas em troca de uma compensação financeira.
Responsabilidade da Polícia Federal
De acordo com o cronograma do governo federal, a responsabilidade pelos CACs, clubes de tiro e depósitos de armas caberá integralmente à Polícia Federal a partir de 1º de janeiro de 2025. Atualmente a responsabilidade é do Exército.
A mudança foi determinada a partir do entendimento de que os militares deixaram de fiscalizar e que haveria mais controle na Polícia Federal.
Avanço no Controle
Especialistas avaliam que o governo federal avançou no controle de armas. Em 2023, em relação ao ano anterior, a PF registrou queda de 76% nas autorizações para aquisição de armas destinadas à defesa pessoal.
No Exército, houve redução de 60% nas concessões de armas aos CACs no mesmo período. As Forças Armadas esclareceram, por meio de nota, que os pedidos divulgados em 2023 correspondem aos pedidos de 2022.
Novo Ministro
Assessores de Lewandowski disseram à Folha de São Paulo que o novo chefe da Justiça se comprometeu com seu antecessor a dar continuidade às iniciativas implementadas até agora pelo governo Lula. Consideram, no entanto, que ainda haverá uma avaliação da viabilidade da recompra para este ano, inclusive à luz das restrições orçamentárias impostas ao Executivo.
Queda de 4%
A queda de 4% nos crimes violentos letais intencionais no Brasil em 2023 em comparação ao ano anterior pode ser atribuída a vários fatores, incluindo as políticas regionais adotadas para combater a violência, apaziguar o conflito entre facções criminosas, que estão se organizando melhor e reduzindo disputas, além de questões demográficas.
Desarmar
Atualmente, está em vigor o programa Desarmar, uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública que recompensa quem entrega armas voluntariamente com até R$ 450. Em 2023, o programa registrou a entrega de 9,561 armas, o menor índice da série histórica desde 2011.
Análise:
No governo Lula, observamos uma abordagem mais responsável e alinhada à realidade brasileira no que diz respeito à política de controle de armas. Isto reflecte-se nas taxas de violência armada e nas actividades do crime organizado, onde as medidas implementadas têm mostrado resultados positivos. No entanto, é crucial reconhecer que ainda há espaço para progressos, especialmente quando se trata de retirar de circulação novas armas.
Embora tenha sido prometido por Flávio Dino, o programa de recompra de armas ainda não foi implementado. A eficácia deste programa dependerá da definição de valores atrativos, incentivando as pessoas a entregarem voluntariamente armas novas e mais poderosas, como rifles e pistolas. Esta abordagem visa evitar que tais armas acabem no mercado ilegal.
É importante destacar que, ao contrário do que afirmou o ex-ministro Flávio Dino, seria prematuro concluir que a atual política governamental já gerou um impacto significativo na redução de crimes violentos letais intencionais, como os homicídios. Isso se deve à presença de diversos fatores que influenciam os números de homicídios, incluindo a atuação de facções criminosas, e aspectos demográficos, sociais e econômicos.
Fonte: Folha de S. Paulo



