Novos videos – gravados por sistemas de segurança privados – mostram um grupo de dezenas de jovens cometendo assaltos desde a saída da praia do Arpoador até o centro de Copacabana, no sábado (02/12). Cerca de 30 pessoas caminham – sem serem molestadas – quilómetros cometendo crimes.
Polícia investiga se grupo é o mesmo que atacou e roubou o empresário Marcelo Rubim Benchimol, no mesmo dia, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O empresário tentou defender uma mulher e acabou levando chutes e socos – um dos quais o fez desmaiar. No chão, ele teve pertences roubados.
Retorno dos Justiceiros
A rotina de violência em Copacabana nas últimas semanas tem levou ao reaparecimento de grupos de vigilantes no bairro – como já visto em 2015. Por meio de grupos de WhatsApp, eles se dividem em grupos para procurar – como definem – quem rouba na região. Eles também falam sobre como vingariam o ataque sofrido pelo empresário Marcelo Rubim Benchimol, que levou chutes e socos até desmaiar, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, ao tentar defender uma mulher.
Nas conversas, os integrantes exibem as armas que utilizarão no ataque aos grupos de menores infratores. Entre os objetos expostos estão soqueiras, paus e fala-se até de pessoas armadas para dar cobertura.
Inocentes agredidos
Vendedor de doces foi agredido após ser confundido com ladrão, na quarta-feira (06/12). Matheus Almeida estava trabalhando e chegou para vender doces em um restaurante de bairro quando o garçom do estabelecimento lhe deu um soco.
O ataque equivocado a um jovem trabalhador é o retrato atual de Copacabana, bairro que virou palco de cenas de violência e confusão.
Novo Policiamento
O secretário estadual da Polícia Militar (PM), Coronel Luiz Henrique Pires, internado na quinta-feira (07/12) que houve falha no policiamento na Zona Sul do Rio.
Devido à onda de assaltos, a PM anunciou mudanças no patrulhamento da região, com aumento de efetivos e abordagens a partir desta semana. Será criado um corredor de segurança na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, das 18h às 23h. E então redirecione os veículos para o calçadão da Avenida Atlântica. Além disso, abordagens serão intensificadas. Participarão da iniciativa agentes do programa Copacabana Presente, Secretaria de Governo, Rio Mais Seguro, Prefeitura do Rio, além de guardas municipais.
Aumento de roubos e furtos
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), com informações de registros da Polícia Civil, entre janeiro e outubro de 2022 e 2023, Copacabana teve aumento significativo nos indicadores de roubos e furtos. Dentre os indicadores de violência analisados, os negativos com maior destaque são: Roubo a transeuntes, que aumentou 56.3% em um ano; roubo de celulares, com aumento de 47%; roubo de celulares, que registrou crescimento de 34.9%; e roubos de ônibus, com aumento de 23%.
No total, Copacabana viu o número total de roubos aumenta 23% em um ano. Se em 2022 foram registrados 3,978 furtos no bairro, o ano corrente teve 4,914 ocorrências. Em relação ao total de roubos, o número passou de 760 para 951 casos, registrando um aumento de 25%.
Análise:
O fenômeno, já registrado em 2015, não é exatamente novo na Zona Sul do Rio de Janeiro. A ideia de “justiça pelas próprias mãos” tende a crescer com as deficiências na segurança pública. Os atos surgem como resposta ao facto de que, apesar de cumprir as suas obrigações republicanas, as pessoas ainda não conseguem exercer o seu direito básico de andar nas ruas sem medo. É verdade que o Rio de Janeiro vive uma aguda crise de segurança, mas o problema é cíclico e está presente todos os anos, com ou sem crise.



