Moradores de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, relataram uma intensa troca de tiros na madrugada desta terça-feira (23/06). A operação marcou mais uma fase da Operação Contenção da Polícia Civil, um esforço contínuo para conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e desmantelar a estrutura financeira e operacional da facção. Esta etapa da operação teve como alvo traficantes que atuam na comunidade do Morro Santa Marta. Durante a operação, um passageiro de um ônibus que trafegava pela Rua São Clemente foi atingido na perna por uma bala perdida. Um grupo de pessoas que havia ido ao mirante da favela para assistir ao nascer do sol também ficou preso devido aos disparos.
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Consistentes
Até a última atualização, seis suspeitos haviam sido presos. Os policiais foram encarregados de cumprir 44 mandados de prisão e 98 mandados de busca e apreensão, embora oito dos alvos já estivessem sob custódia. Os mandados foram expedidos pela 26ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Tiros foram disparados por volta das 4h, logo após as equipes policiais entrarem no bairro. Rajadas de tiros de armas automáticas ecoaram por diversas partes da região, e explosões também foram relatadas. Dezenas de viaturas da Polícia Civil foram mobilizadas ao longo da Rua São Clemente, uma das ruas mais movimentadas de Botafogo e principal acesso a Santa Marta. Pelo menos dois helicópteros prestaram apoio aéreo durante toda a operação.
Foto do passageiro
Segundo o Rio Ônibus, uma bala perdida atingiu um passageiro do ônibus da linha 410 (Saens Peña–Gávea) que passava pela Rua São Clemente. A bala atingiu a vítima na perna direita, e os demais passageiros improvisaram um torniquete até a chegada do socorro. Até a última atualização, a vítima não havia sido identificada e nenhuma informação havia sido divulgada sobre seu estado de saúde.
Dois Anos de Investigações
A investigação conduzida pela Divisão de Repressão ao Narcotráfico (DRE) teve início em meados de 2024. Segundo os investigadores, a organização criminosa que atua em Santa Marta é liderada por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, que continua a comandar as atividades da facção mesmo estando preso no Presídio Federal de Brasília. Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, é identificado como seu principal tenente na comunidade. A investigação identificou 44 membros da organização, incluindo comandantes, guardas armados, traficantes e vigias responsáveis pelo monitoramento dos pontos de acesso.
Operação Contença
A Operação Contenção é uma iniciativa estratégica lançada pelo governo do estado do Rio de Janeiro para deter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV). A operação busca desmantelar as redes financeiras, logísticas e operacionais da facção, além de capturar membros-chave envolvidos no tráfico de drogas. Ao longo de suas diversas fases, as autoridades prenderam mais de 360 suspeitos e mataram 137 pessoas em confrontos armados. A polícia também apreendeu aproximadamente 480 armas de fogo — incluindo 190 fuzis de assalto — e mais de 51,000 mil cartuchos de munição.
Análise:
A Operação Contenção reflete uma mudança mais ampla na estratégia de segurança pública do Rio de Janeiro, que vai além de batidas policiais isoladas e se volta para campanhas contínuas destinadas a enfraquecer a capacidade organizacional das facções criminosas. Ao visar estruturas de comando, redes financeiras e apoio logístico, em vez de se concentrar exclusivamente no tráfico de drogas nas ruas, as autoridades buscam reduzir a capacidade do Comando Vermelho de se expandir para novos territórios. A duração da investigação, de quase dois anos, ilustra a crescente dependência da coleta de informações para identificar a hierarquia e a dinâmica operacional do crime organizado antes de lançar ações de repressão em larga escala.
Ao mesmo tempo, o incidente demonstra os desafios persistentes de conduzir operações policiais em ambientes urbanos densamente povoados. O ferimento sofrido por um passageiro do ônibus e o transtorno vivenciado por moradores e visitantes ilustram como os confrontos entre forças de segurança e grupos criminosos fortemente armados continuam a expor civis a riscos significativos.
Fontes: G1 [ 1 ], [ 2 ], [ 3 ], [ 4 ]; O Globo ; A Folha de SP.



