O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou mensagens ao Congresso Nacional solicitando a retirada da tramitação de quatro projetos de lei que foram encaminhados durante o governo Jair Bolsonaro. Entre os alvos do governo federal nos pedidos está a proposta que pode isentar de punição militares em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
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Exclusão de Ilegalidade
O projeto de lei, que trata da chamada “exclusão ilícita”, foi encaminhado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em novembro de 2019 e é assinada pelos ex-ministros Sergio Moro, Jorge Oliveira e Fernando Azevedo. Isto trata de situações em que militares e agentes de segurança não podem ser punidos quando cometerem algo proibido por lei, como matar. O texto trata especificamente das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que ocorrem exclusivamente por determinação da Presidência da República em situações consideradas extremas, como no combate ao crime organizado e em grandes eventos internacionais.
O projeto
O projeto que o governo pede para ter sua tramitação interrompida prevê alteração na classificação do que constitui legítima defesa para militares e agentes de segurança durante operações de GLO. Por design, seria considerado que o agente agiu em legítima defesa em situações envolvendo prática ou prática iminente de ato de terrorismo, prática ou prática iminente de conduta capaz de causar morte ou lesão corporal, cercear a liberdade da vítima, mediante violência ou grave ameaça, porte ou uso ostensivo de arma de fogo. A proposta também impede a prisão do agente em flagrante em situação de legítima defesa. No entanto, os militares poderiam ser punidos em casos de excesso intencional.
Nossa Análise:
O Código Penal Brasileiro já prevê exclusão de ilicitude para qualquer cidadão em três situações: no estrito cumprimento de dever legal, nos casos de legítima defesa e no estado de necessidade. O novo texto trata exclusivamente da atuação de agentes de segurança e militares em casos de operações de ordem pública (GLO) e define em que situações se justifica a legítima defesa. Especialistas afirmaram que a proposta, se aprovada, colocaria em risco a liberdade de expressão, podendo fomentar a violência, já que os militares e agentes públicos teriam uma espécie de carta branca para não serem punidos por legítima defesa excessiva. Ele também alerta para o risco à democracia se o projeto for adiante no Congresso. Dependendo da situação, é possível que as exclusões sejam aplicadas em atos e manifestações políticas, o que indica a possibilidade de que coloquem em risco as liberdades públicas essenciais ao regime democrático.



