O processo de O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quarta-feira (12/11) as deliberações sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida popularmente como “ADPF das Favelas”. A medida vem sendo analisada há cinco anos e alguns de seus impactos na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro já são sentidos desde 2020, graças às decisões de um único juiz que tornam obrigatória a utilização de câmaras corporais nos uniformes da polícia e nas viaturas de patrulha. Essas decisões também exigir comunicação prévia das operações ao Ministério Público do Rio e às autoridades de saúde e educação para resguardar as escolas do fogo cruzado e garantir o acesso dos moradores a cuidados médicos.
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Críticas ao Governo Estadual
Em meio a críticas do governo estadual, STF deve manter medidas implementadas até agora para reduzir mortes em operações policiais em favelas. Segundo entrevistas sigilosas com três ministros do STF e dois assessores realizadas por O Globo, há forte apoio à continuidade total ou parcial das liminares do ministro Edson Fachin, que foram confirmadas pela corte em 2022.
Controvérsia
O processo de polêmica sobre a ADPF das Favelas começou em 2020, quando a primeira decisão cautelar restringiu as operações policiais nas favelas do Rio durante a pandemia da COVID-19, permitindo-as apenas em casos excepcionais e com justificativa estadual. A decisão foi tomada em junho de 2020, poucas semanas após uma operação policial deixar 13 mortos no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Alguns perceberam a restrição como uma “luz verde” para o crime; no entanto, estudo do Ministério Público do Rio (MPRJ), submetido ao STF como parte da ADPF, contradiz essa visão. Segundo o estudo, “entre 2021 e 2024, o número de operações aumentou enquanto a letalidade diminuiu. "
Menos Mortes
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que nos primeiros quatro meses de 2019, o Rio registrou 560 mortes por intervenções do Estado. Em 2024, o número para o mesmo período caiu para 205. O estudo indica ainda que entre junho e setembro de 2020, após a decisão inicial, 142 operações policiais foram realizadas em favelas, resultando em 191 mortes. De janeiro a setembro de 2024, houve uma redução de 24% nas mortes em comparação ao mesmo período de 2023, com 555 fatalidades registradas em 2024, comparável aos níveis de 2015, abaixo das 727 em 2023.
Letalidade Policial
Apesar do aumento de operações e queda de mortes, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) afirma que letalidade policial no Rio continua alta, superando a média nacional. Em 2023, A taxa de mortes em confrontos policiais no Rio foi de 5.4 por 100,000 mil habitantes, enquanto a média nacional foi de 1.8 por 100,000 mil. No entanto, desde que as medidas da ADPF foram implementadas, a letalidade diminuiu significativamente. Em 2019, houve 1,814 mortes por intervenções policiais (MDIPs) no estado, em comparação com 871 em 2023 — uma redução de 52%.
Análise:
As deliberações da “ADPF das Favelas” no Supremo Tribunal Federal (STF) destacam a dinâmica complexa da segurança pública no Rio de Janeiro, especialmente no contexto de operações policiais em favelas. Embora as medidas do tribunal, como a obrigatoriedade de câmeras corporais e a limitação de operações, tenham gerado debate, elas estão enraizadas na redução da letalidade policial e na melhoria da responsabilização. Os dados ressaltam alguns resultados positivos, com uma queda notável no número de mortes durante intervenções policiais desde que as medidas começaram. Essa mudança indica que o aumento da supervisão pode não necessariamente prejudicar a eficácia da polícia, mas sim promover uma abordagem mais equilibrada à segurança pública que prioriza a vida humana.
No entanto, a situação também revela desafios persistentes. Embora a letalidade policial tenha diminuído, as taxas do Rio permanecem acima da média nacional, sugerindo que reformas estruturais mais amplas são necessárias. A redução efetiva da criminalidade no Rio requer estratégias abrangentes, integração de ferramentas tecnológicas, treinamento policial aprimorado e melhor engajamento da comunidade. Abordar a segurança pública em um ambiente tão complexo exige um foco duplo: capacitar a polícia com recursos e orientação adequados para agir de forma responsável, ao mesmo tempo em que garante que os direitos e a segurança dos moradores em áreas de alto risco não sejam comprometidos.
Fontes: O Globo.



