As forças policiais do Rio de Janeiro e de São Paulo estão expandindo o uso de tecnologias avançadas de vigilância, incluindo câmeras corporais, reconhecimento facial e leitores de placas, para melhorar a prevenção e a investigação de crimes. No Rio, a Polícia Militar planeja adquirir novas câmeras corporais com sistemas de reconhecimento integrados, somando-se aos 13,000 dispositivos já em uso — tecnologia que contribuiu para quase 600 prisões em menos de 18 meses. Enquanto isso, São Paulo está equipando motocicletas da polícia e da guarda municipal com câmeras conectadas ao sistema de monitoramento Smart Sampa, com o objetivo de combater crimes frequentemente cometidos com motocicletas que utilizam placas falsas. As iniciativas também mostram uma crescente integração entre redes de monitoramento públicas e privadas, ao mesmo tempo em que levantam questões regulatórias, como visto na ordem do Rio para que uma empresa privada remova câmeras não autorizadas de áreas públicas.
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Novas câmeras corporais no Rio
Ainda neste ano, a Polícia Militar do Rio abrirá licitação para compra de novas câmeras corporais para policiais, com tecnologia de reconhecimento facial e de placas de veículos. Embora o número exato de dispositivos ainda não tenha sido confirmado, a expectativa é de que ultrapasse as 13,000 câmeras corporais já instaladas. O anúncio foi feito pelo Major Agdan Fernandes, Diretor de Infraestrutura Tecnológica do Centro Integrado de Comando e Controle da Polícia Militar do Rio (PMERJ), durante seminário.
Reconhecimento facial
Desde sua implementação, o sistema de reconhecimento facial sozinho levou a quase 600 prisões em menos de um ano e meio de operação. Segundo o Major Agdan, esse número representa mais de 10% de todos os mandados de prisão expedidos pela Polícia Militar no período.
Câmeras não autorizadas
Em outra ação, a Prefeitura do Rio determinou que a empresa de monitoramento por vídeo Gabriel realoque mais de 400 câmeras instaladas em espaços públicos. O município citou a existência de seu sistema de vigilância e a exigência de autorização por parte de empresas privadas antes de instalar equipamentos em áreas públicas. Gabriel teria sido multado cinco vezes por irregularidades envolvendo seus dispositivos.
Câmeras de motocicleta em São Paulo
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciaram nesta segunda-feira (11/08) a entrega das primeiras 100 câmeras que serão instaladas em motocicletas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Esses dispositivos, conectados à central de monitoramento Smart Sampa, contarão com reconhecimento facial para identificar suspeitos de crimes, pessoas procuradas e veículos roubados. Cinquenta câmeras serão instaladas em motocicletas da Polícia Militar e outras cinquenta em motocicletas da GCM, com previsão de expansão nos próximos meses.
Integração
O governador Tarcísio também citou o programa Muralha Paulista, sistema de câmeras de vigilância do governo estadual, que já está integrado ao Smart Sampa. Os planos incluem expandir acordos com empresas privadas para obter acesso às imagens de suas redes de câmeras, fortalecendo ainda mais as capacidades de monitoramento.
Placas falsas
O prefeito Nunes observou que crimes como roubo e furto são frequentemente cometidos por motociclistas, alguns dos quais usam placas falsas para evitar identificação. Uma reportagem do O GLOBO revelou que, em junho, uma placa falsa foi detectada a cada oito minutos em São Paulo — a maioria em motocicletas. A cidade registrou 5,579 ocorrências desse tipo somente naquele mês, com uma média de 185 por dia. Essas placas falsas, que podem ser compradas online por preços entre R$ 20 e R$ 30, continuam sendo uma preocupação crescente para as autoridades.
Análise:
Nos últimos anos, o cenário da segurança pública no Brasil tem sido cada vez mais influenciado pela integração de tecnologias avançadas de vigilância, sinalizando uma mudança em direção ao policiamento baseado em dados e monitoramento em tempo real. No Rio de Janeiro, a expansão planejada de câmeras corporais com recursos de reconhecimento facial e de placas de veículos baseia-se em um sistema existente que já apresentou resultados mensuráveis — quase 600 prisões em menos de 18 meses. Isso sugere um forte impacto operacional, especialmente na execução de mandados de prisão.
Em São Paulo, a implantação de câmeras em motocicletas da polícia e da Guarda Municipal, conectadas à rede Smart Sampa, aborda diretamente crimes de alta mobilidade, como roubos cometidos com motocicletas e o uso generalizado de placas falsas. A integração com o programa Muralha Paulista e as parcerias com redes privadas de câmeras poderiam ampliar significativamente a cobertura do monitoramento, mas isso também levanta preocupações sobre a supervisão, a interoperabilidade e o potencial uso indevido de dados.



