Na segunda-feira (12/08), a Polícia Militar realizou uma operação no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, com o objetivo de reprimir a criminalidade na comunidade. Quatro homens, identificados como guarda-costas do traficante Mário Henrique Paranhos de Oliveira — conhecido como Neves — foram presos durante a ação. Neves é reconhecido pela polícia como o atual líder da quadrilha de tráfico de drogas local. Com os suspeitos, os policiais apreenderam quatro fuzis, incluindo um com mira telescópica, mais de 200 cartuchos de munição, três granadas, coletes à prova de balas e drogas. As autoridades estimam o valor total do arsenal em aproximadamente R$ 500,000 mil. Durante a operação, os traficantes retaliaram sequestrando 12 ônibus para usar as barricadas, sendo que um dos veículos foi incendiado.
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Chefe do tráfico de drogas
Neves é considerado o sucessor de Fernando Gomes de Freitas, mais conhecido como Fernandinho Guarabu, que controlou o território do Dendê até sua morte em um tiroteio com a polícia em 2019. Apesar da operação policial, Neves conseguiu fugir. Segundo informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), três mandados de prisão estão em aberto contra ele, expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Ele é associado ao Terceiro Comando Puro (TCP), uma das facções criminosas mais poderosas do estado.
A operação
O coronel Marcos André, comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar (Ilha do Governador), informou que a missão teve início por volta das 5h da manhã, com o objetivo de desmantelar barricadas e restringir a circulação de criminosos armados. Participaram reforços do 22º Batalhão (Maré) e do 3º Batalhão (Méier), além de três veículos blindados de transporte de pessoal. No entanto, as forças de segurança já haviam cercado a comunidade horas antes, pouco depois da meia-noite, em uma manobra preventiva. Ao avançarem pela encosta, principalmente na área conhecida como Tenda, os policiais se depararam com homens armados que tentaram fugir. Os quatro suspeitos foram presos e suas armas apreendidas.
Ônibus sequestrados
Segundo a polícia, o sequestro dos ônibus foi ordenado por traficantes como tática defensiva para obstruir o acesso rodoviário ao Morro do Dendê. A Ilha do Governador, onde a favela está localizada, fica a apenas 8.5 quilômetros do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (GIG), aumentando as preocupações com os riscos de segurança em geral. Além dos ônibus, contêineres de lixo foram incendiados e jogados nas ruas Cacuia e Dendê para bloquear o trânsito. Moradores relataram ter ouvido intensos disparos de fuzil por volta das 6h, criando um clima de tensão em toda a região . Em comunicado, o sindicato das empresas de ônibus afirmou que a linha Ribeira-Bancários foi incendiada. Em 2025, 99 ônibus já foram sequestrados e três foram incendiados. Além disso, 11 linhas tiveram seus itinerários alterados.
Impacto na região
Apesar da violência, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que quatro unidades de saúde que atendem a região do Dendê permaneceram abertas à população , embora as visitas domiciliares e atividades externas tenham sido suspensas por motivos de segurança. Por volta das 9h, novos disparos foram ouvidos nas proximidades. Aproximadamente às 9h50, a Avenida Paranapuã, no bairro do Tauá, foi interditada perto da comunidade , segundo o Centro de Operações do Rio (COR). Alguns comércios no bairro do Cacuia optaram por fechar as portas durante a manhã, refletindo a perturbação e o medo causados pelo confronto.
Análise:
A operação no Morro do Dendê demonstra tanto a persistência do poder criminoso arraigado quanto os desafios enfrentados pelas forças de segurança no Rio de Janeiro. A prisão de quatro guarda-costas fortemente armados, juntamente com a apreensão de um arsenal significativo, demonstra a escala dos recursos disponíveis para as facções locais do tráfico e a natureza militarizada de suas operações. O fato de os traficantes terem conseguido sequestrar vários ônibus e paralisar vias importantes em resposta reflete sua capacidade não apenas de violência, mas também de perturbar a vida urbana como forma de resistência e intimidação.
Ao mesmo tempo, a fuga de Neves, figura proeminente do Terceiro Comando Puro, aponta para as limitações estruturais das intervenções policiais quando não combinadas com controle territorial sustentado e presença institucional de longo prazo. Operações que se baseiam fortemente em ganhos táticos imediatos, sem abordar lacunas de governança nessas áreas, frequentemente permitem que a liderança criminosa se reconstitua e reassuma o controle após a retirada das forças de segurança.
Fontes: O Globo ; Extra ; A Folha de SP.



