Negociações de reajuste salarial geraram conflitos entre governo e integrantes das forças de segurança do estado de São Paulo. Na terça-feira (23), sob protestos, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou o projeto de lei que reajusta salários com percentuais diferenciados para as Polícias Civil e Militar, o que pode gerar ainda mais desgaste entre as duas corporações.
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Trabalhadores da Fundação Casa, instituição responsável pela reeducação de menores infratores, também protestaram por receberem o que consideram um baixo reajuste salarial. Além disso, o salário dos policiais penais não foi incluído no projeto. Agora, deve ser sancionado pelo governador.
Polícia Militar X Polícia Civil
A proposta de reajuste salarial anunciada pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para os militares paulistas gerou uma crise com os policiais civis, que se dizem indignados com o fato de receberem um aumento inferior ao oferecido aos polícia Militar. Quando a proposta saiu, representantes de classe anunciaram que iriam organizar manifestações e não descartaram movimentos grevistas caso o projeto não fosse alterado.
De acordo com o projeto aprovado, em média, policiais da Polícia Militar terão reajuste de 22.6%, contra 17.9% dos delegados da Polícia Civil.
Polícia Penal
O reajuste dos trabalhadores do sistema penal, segunda maior força de segurança do estado, ainda não foi analisado por Tarcísio. O fato deixou esse grupo insatisfeito e motivou eles e os policiais civis a irem ao prédio da Câmara Municipal se manifestar contra a proposta no dia 9 de maio.
Fundação da Casa
Outro grupo insatisfeito com a proposta de reajuste é o da fundação responsável pela reeducação de menores infratores. Foi oferecido reajuste de 6% à categoria, porém, os trabalhadores exigem 15%. Como a exigência não foi aceita, os trabalhadores entraram em greve no dia 3 de maio por tempo indeterminado. A Justiça determinou que 80% dos 5,000 mil trabalhadores continuem trabalhando.
Nossa Análise:
As duas forças policiais, militar e civil, de São Paulo têm um histórico de disputas e divergências que às vezes se transformam em incidentes de rua com conflitos entre policiais. Em 2020, após a morte de três Policiais Militares por um falso Policial Civil, ocorrida em agosto daquele ano, foi registrada uma série de desentendimentos com discussões e até agressões entre integrantes das duas corporações. Se as duas forças perceberem diferenças de tratamento dispensadas a uma delas pelo governo, isso poderá levar a novos incidentes. Além disso, mais um episódio da história envolvendo as polícias Civil, Militar e o governo do estado mostram quais divergências sobre reajustes salariais podem ter como consequência. Na tarde do dia 16 de outubro de 2008 ocorreu um confronto sangrento entre 1,200 policiais civis e uma tropa de policiais militares convocados para conter a manifestação que se dirigia ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste, sede do governo de São Paulo. Muitos policiais civis portavam armas de fogo. O conflito deixou 25 policiais feridos, incluindo um coronel da Polícia Militar, baleado durante um tiroteio ocorrido em meio ao conflito. O incidente aconteceu depois que a Polícia Civil entrou em greve para reivindicar reajuste salarial imediato de 15% e outros 12% em 2009 e 2010. Porém, a administração ofereceu reajuste de apenas 6.2%.
Fonte: Folha de S. Paulo; Ponte [1], [2], [3]; Notícias UOL



