Operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira (09/04) teve como alvo duas organizações suspeitas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo. O esquema envolveu duas empresas de ônibus, UPBus e Transwolff (TW), que transportam quase 700,000 mil pessoas por dia e receberam quase R$ 800 milhões em remuneração da Prefeitura.
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A investigação, chamada Operação Fim da Linha, é uma força-tarefa entre o MP-SP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Polícia Militar, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal —e esta é uma continuação do Operação Tubarões, lançada em 2020 para investigar o PCC.
Como o esquema funcionou
O processo de PCC aproveitou mudança no setor de transportes para interferir no poder público e lavar dinheiro do tráfico de drogas. Em 2015, quando Prefeitura de São Paulo tentou regularizar a situação dos ônibus ilegais, a facção injetou recursos nas então cooperativas de ônibus e as tornou empresas competitivas a ponto de vencer licitações. As empresas criaram mecanismos contábeis para ter prejuízos, mas os sócios ganharam dividendos. Esse lucro era o dinheiro da facção.
Empresas Envolvidas
Segundo o MP-SP, existem 29 empresas envolvidas na lavagem de dinheiro de TW e UPBus, do qual o Tribunal ordenou a bloqueio de cerca de R$ 600 milhões em bens para garantir pagamento por danos morais coletivos. Também determinou que a SPTrans, empresa estatal de transporte público da cidade, assumisse as linhas administradas pelas empresas investigadas.
Outras empresas investigadas
O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que outras empresas além da Transwolff e UPBus estão sendo investigadas na capital paulista por suspeita de ligações com organizações criminosas. Segundo ele, o Departamento de Investigações do Crime Organizado (DEIC), da Polícia Civil, já investiga outras empresas de transporte público da cidade, com apoio do MP.
Contornos da Máfia
O promotor Lincoln Gakiya também afirmou que o esquema descoberto levanta preocupação e comparou-o aos esquemas da máfia que operam há décadas na Itália. A facção (PCC) assumiu a forma de uma máfia, cuja principal característica é a infiltração nas instituições do Estado.
Doações de campanha
Sócios e diretores de uma das empresas de ônibus investigadas pelo MPSP por suspeitas de ligações com o PCC, Transwolff, doado a políticos aliados do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Ambos são pré-candidatos a prefeito de São Paulo.
Luiz Carlos Efigênio Pacheco (Pandora), sócio da Transwolff preso na operação, doou para Antônio Donato (PT), deputado estadual e um dos coordenadores do programa de governo de Boulos.
Robson Flares Lopes Pontes, um dos dirigentes da Transwolff que também foi preso, doou R$ 15,000 mil ao diretório do DEM (atual União Brasil) na última eleição municipal, aliado de Nunes.
Análise:
Um esquema de lavagem de dinheiro ligado à maior facção criminosa de São Paulo e do país veio à tona recentemente, revelando que a quadrilha está envolvida no setor de transporte público da cidade. O conhecimento territorial das periferias, a familiaridade com o transporte público e a necessidade de lavagem de dinheiro dos lucros cada vez maiores das vendas de drogas no Brasil, especialmente para a Europa e África foram elementos que atraíram a facção a se infiltrar no serviço público, segundo especialistas ' visualizar.
Não é novidade que a facção criminosa se envolve em atividades comerciais para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Desde a década de 2000, o grupo faz parte da chamada máfia do transporte legal. Inicialmente, os dirigentes ocupavam cargos de gestão em cooperativas de transporte público de Diadema, na Grande São Paulo.
A revelação deste esquema suscita preocupações devido à sua semelhança com esquemas mafiosos activos há décadas em Itália, cuja principal característica é a infiltração nos poderes do Estado. As autoridades de segurança também suspeitam que o dinheiro do crime organizado seja utilizado para financiar campanhas políticas, especialmente em eleições autárquicas, como as que decorrem este ano.



