A recente apresentação da “PEC da Segurança Pública” pelo governo federal reacendeu o debate sobre a necessidade de mudanças no modelo policial brasileiroA PEC da Segurança Pública concentra-se na adaptação das competências das organizações policiais e na melhoria da coordenação entre os diferentes níveis de governo, com o objetivo de enfrentar a crescente complexidade do crime organizado. No entanto, também inclui disposições que refletem os esforços em prol da reforma democrática da polícia, como o fortalecimento das ouvidorias e das corregedorias.
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Proposta na Câmara
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (26/05) que pediu aos deputados que não levem a PEC da Segurança Pública para o “campo partidário e eleitoral” e prometeu fazer tudo o que for possível para aprovar a proposta do governo, mesmo com modificações.Segundo ele, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, representa uma oportunidade histórica para avançar decisivamente no combate à criminalidade. A proposta foi enviada à Câmara dos Deputados no mês passado e atualmente aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa do processo legislativo.
Quatro Pilares
Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a proposta se baseia em quatro pilares. A primeira é a coordenação entre as diversas forças de segurança em toda a federação, incluindo compartilhamento de inteligência e operações conjuntas. A segunda é a expansão do Fundo Nacional de Segurança Pública e apoio ao sistema penitenciário. A terceira é a exigência constitucional de que todas as forças policiais mantenham corregedorias e ouvidorias independentes. A quarta envolve mudanças nas atribuições da Polícia Federal e das guardas municipais. Pela proposta, a Polícia Federal investigaria crimes ambientais e milícias locais, enquanto as guardas municipais seriam responsáveis pelo policiamento ostensivo e patrimonial, sob supervisão externa do Ministério Público.
Mudanças Importantes
No entanto, deputados que acompanham as negociações da PEC indicam que um dos pontos mais polêmicos do projeto do governo é a ampliação das atribuições da Polícia Federal. As polícias civis têm manifestado preocupação com a potencial interferência em investigações locais, mesmo quando estas envolvem grandes facções criminosas. A PEC amplia o escopo da Polícia Federal, autorizando-a a investigar crimes relacionados a danos ambientais e milícias privadas. Na prática, isso poderia levar à federalização de alguns casos que atualmente são de competência exclusiva da polícia civil estadual.
Sistema Unificado
Um aspecto fundamental da PEC é a inclusão constitucional do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Além de padronizar a distribuição de investigações policiais em todo o país, o SUSP exigiria que os governadores adotassem registros nacionais de identidade para os residentes de seus estados. O sistema também estabeleceria um banco de dados unificado de registros criminais, acessível a todos os estados. Não se espera que essas medidas enfrentem oposição significativa por parte dos legisladores.
guarda municipal
O Senado aprovou nesta terça-feira (27/05) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que inclui formalmente as guardas municipais e os agentes de trânsito no quadro de segurança pública do país. A emenda garante clareza jurídica quanto às suas responsabilidades. Também autoriza as guardas municipais a exercer policiamento ostensivo e a colaborar em políticas e ações de segurança. Além disso, concede a essas forças acesso a verbas específicas para a segurança pública e autorização mais ampla para o porte de armas de fogo. A proposta segue agora para a Câmara dos Deputados.
Lei Antimáfia
O governo Lula (PT) deve apresentar nos próximos meses um projeto de lei que visa redefinir a classificação das organizações criminosas no Brasil. Chamado por autoridades e especialistas de Lei Antimáfia, o projeto de lei criaria uma agência nacional para coordenar o combate ao crime organizado. Os principais objetivos incluem aumentar as sentenças para líderes de grandes grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), melhorar a recuperação de ativos de organizações criminosas e permitir a suspensão preventiva de contratos públicos com base em evidências de vínculos entre contratantes ou fornecedores e grupos criminosos.
Análise:
A promulgação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o anúncio da futura "Lei Antimáfia" representam medidas significativas do governo federal para enfrentar a crescente sofisticação do crime organizado no Brasil. O esforço para aprimorar a coordenação entre os diferentes níveis de governo por meio do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), juntamente com a proposta de formalizar corregedorias e ouvidorias, pode contribuir para o fechamento de lacunas de longa data na estratégia e na responsabilização do policiamento.
Reformas institucionais como essas, se implementadas de forma eficaz, podem aumentar a transparência e promover uma supervisão mais eficaz das forças policiais, especialmente em resposta às frequentes alegações de abusos durante as operações. No entanto, a proposta de expansão dos poderes investigativos da Polícia Federal deve ser cuidadosamente avaliada para evitar conflitos com as polícias civis estaduais, que já enfrentam desafios estruturais.
Fontes: Fonte Segura; A Folha de SP [1], [2]; Extra; O Globo [1], [2].



