Resumo
De 2021 a 2022, o número de roubos e furtos de veículos aumentou em todo o país, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023. Foi o resultado de uma reversão de tendência, que deixou muitos estados com altos índices desse crime. Apesar dos maus resultados globais, o cenário não é totalmente negativo. Autoridades paulistas têm tido sucesso no combate a esse tipo de crime. Este caso de sucesso, segundo os pesquisadores, pode servir como referência para políticas eficazes a serem empregadas – talvez até sobre como lidar com outros mercados ilegais. Ao mesmo tempo, novas tecnologias que chegam à indústria automotiva podem criar novos desafios para a proteção de bens.
Reversão da Tendência
Durante a pandemia da Covid-19, as restrições à circulação de bens, pessoas e veículos provocaram uma redução acentuada no número de crimes diversos, como roubos. No entanto, com o levantamento das medidas de isolamento, a tendência de redução observada em alguns crimes inverteu-se. Esse foi o caso dos roubos e furtos de veículos.
Em 2022, foram registrados 373,225 roubos e furtos de veículos no país, uma média de 1,000 por dia. Quando as medidas de isolamento social entraram em vigor, elas tiveram uma redução acentuada, mas cresceu 8% no último ano.
A maioria dos incidentes são furtos (60.3%), portanto, ações sem violência envolvida, o que representa um bom fator. Por outro lado, o facto sublinha a necessidade de contratar seguros e proteger adequadamente os veículos quando estacionados, incluindo os pertences que transportam, pois geralmente não são recuperados ao contrário dos roubados (ou seja, com violência).
Os veículos mais roubados
Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostrou o ranking dos 10 carros mais roubados no Brasil entre janeiro e julho de 2023.
Os carros mais vendidos estão entre os mais roubados. Primeiro, porque é mais provável que sejam visados. Segundo, porque há uma maior demanda por peças automotivas desses modelos.
O processo de veículos mais baratos também são bastante direcionados pois são fáceis de revender e existem muitos disponíveis.
Os SUVs tornaram-se atrativos, devido à sua resistência e atratividade. Muitos são utilizados em crimes, pelo espaço que oferecem e pelo motor turbo que muitos possuem.Pickups grandes e pequenas são procuradas pela sua capacidade de transportar coisas. Muitos ladrões e assaltantes os revendem aos criminosos que realizam roubos de carga.
| 1. Volkswagen Golf | 6. Fiat Siena |
| 2. Ford Ka | 7. Chevrolet Corsa |
| 3. Fiat Uno | 8. Fiat Strada |
| 4.Hyundai HB20 | 9. Fiat Palio |
| 5. Chevrolet Onix | 10.Toyota Hilux |
As taxas mais altas
Alguns estados apresentam índices mais elevados de roubos e furtos de veículos. O estado líder neste ranking é o Rio de Janeiro, com 562 casos por 100,000 mil veículos em 2022. Pernambuco, na região Nordeste, vem em segundo lugar, com 534 casos por 100,000 mil veículos. Essa região também abriga o terceiro e quarto lugares, o Piauí, que concentra uma taxa de 492 incidentes, e o Rio Grande do Norte, com 421. Por fim, a quinta posição pertence a São Paulo, com uma taxa de 414 incidentes.

São Paulo, uma estratégia de sucesso
Apesar dos aumentos consecutivos registados em 2021 e 2022, São Paulo reduziu significativamente o número de roubos e furtos de veículos há quase uma década.
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O pico foi observado em 2014, quando foram registrados 221.532 roubos e furtos, o que representou uma taxa de 502 por 100,000 mil veículos. Desde então, as novas políticas implementadas pela administração estadual, associadas a outros aspectos, conseguiram reduzir significativamente os casos, atingindo o menor total em 2020, quando sob as restrições da pandemia, o total era de 97,615, com uma taxa de 317.


De acordo com o estudo “Desmantelar Lei, PCC e Mercados”, lançado em abril na Tempo Social – revista da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) – há uma “governança híbrida” do mercado de veículos, compartilhada entre o Estado, o crime (o Primeiro Comando da Capital – PCC) e os agentes do mercado. Assim, as transformações nessas três esferas explicam o comportamento das estatísticas de roubos e furtos no Estado.
Explicar a ligação do PCC com a diminuição de roubos e furtos de veículos, os pesquisadores citam o ano de 2014, que seria um marco na atuação da facção no Estado de São Paulo, quando ganhou hegemonia no tráfico transnacional de cocaína pelo Porto de Santos. Além disso, é o início da expansão das atividades dos grupos criminosos para outros estados. Para que isso ocorresse, uma série de integrantes da facção, dedicados a 'crimes clássicos', como furtos de veículos e grandes roubos, passaram a ingressar em redes internacionais de tráfico de cocaína e contrabandear produtos (armas, produtos falsificados e irregulares).
Os agentes de mercado destacados pelo trabalho são a pandemia de Covid-19 e a crise económica que se seguiu, que teve um grande impacto no mercado consumidor de 2014 a 2021. No mesmo momento, houve também escassez de semicondutores, o que restringiu a produção de automóveis. Além disso, as vendas de autopeças da China, que são mais baratas que as originais, supostamente aumentou.

O Mercado Pago não havia executado campanhas de Performance anteriormente nessas plataformas. Alcançar uma campanha de sucesso exigiria segundo os pesquisadores, o principal fator para essa queda foi a implantação da Lei de Desmontagem (Lei Estadual 15,276/2014), que regulamentou o negócio de desmontagem de veículos para peças. Essa atividade passou a ser monitorada e deve seguir regras (licença para funcionamento, ausência de dívidas e antecedentes criminais, controle de origem e estoque) e desde então todas as peças são obrigadas a possuir códigos QR. Os pesquisadores argumentam que quando um mercado é legalizado e regulamentado, fica mais difícil vender mercadorias roubadas e a demanda por materiais de origem duvidosa diminui.. Embora ainda existam fornecedores de peças operando ilegalmente em São Paulo, pesquisadores estimam que hoje sejam minoria. Um cenário muito melhor que o anterior, quando quase todos os fornecedores de peças operavam vendendo itens roubados.
São Paulo Hoje
Com a retirada das restrições da pandemia, o número de veículos roubados começou a aumentar. Embora os demais fatores citados no item acima continuem atuando na redução de casos em SP, os criminosos começaram a ter mais oportunidades com mais pessoas circulando, portanto, um aumento nos incidentes era um movimento esperado. Os veículos subtraídos aumentaram 15.4% de 2020, para 2021, e 18.5%, em 2022.
Nos primeiros seis meses de 2023, o estado com maior frota de veículos do país registrou 65,770 roubos e furtos de automóveis, um aumento de 3% quando comparado ao mesmo período de 2022. Mesmo assim, é ainda abaixo do nível pré-pandemia – em 2019, foram quase 68,992 casos – e longe dos resultados registados em 2014 – quando foi aprovada a Lei do Desmantelamento –, quando foram subtraídos 116,200 mil veículos nos primeiros seis meses.
Ao comparar o número de furtos e o número de roubos: no primeiro semestre de 2023 foram registrados 18,574 roubos de automóveis, uma queda de 1.3% em relação ao mesmo período do ano passado (18,574). Enquanto isso, o número de furtos aumentou 4.2%, passando de 45,296 para 47,196 casos registrados.
Os resultados indicam que São Paulo já segue a tendência nacional, com mais furtos e menos roubos.
Os casos registrados estão concentrados na Capital, que teve cerca de 27,000 mil veículos roubados, e região Metropolitana (sem a capital), com 19,000 mil. Assim, a Região Metropolitana concentrou quase 70% dos incidentes, mesmo tendo 20 milhões de habitantes, menos da metade da população do estado.
Na cidade de São Paulo, a Zona mais afetada é a Leste (10,984), depois o Sul (8,224), o Norte (4,192), o Oeste (2,899) e o Centro (1,446). Quando se trata de bairros, as cinco cidades mais visadas são: Tatuapé (841), Ipiranga (697), Vila Clementino (624), Perdizes (600) e São Mateus (571).
A presença de muitas áreas para desmontagem de carros na Zona Leste torna-a alvo preferencial. Os bairros e cidades da região Metropolitana adjacentes também sofrem com essa proximidade. Como os criminosos conseguem desmontar um carro em 30 minutos, eles dão preferência aos veículos que circulam próximos aos locais onde podem retirar as peças.
Novas oportunidades para ataques agora e no futuro: Key Signal, Media Center e IoV
Tecnologias digitais e peças eletrônicas tornaram-se componentes essenciais da indústria automotiva. O nível de dependência do digital pode ser testemunhado pela crise de escassez de microchips após a pandemia; e o repentino retorno da demanda por chips gerou dificuldades para os fabricantes de automóveis.
Por outro lado, especialistas já alertaram que tais tecnologias representam violações potenciais para os criminosos explorarem. Por exemplo, muitos ladrões estão agora usando relés de sinal para reproduzir o sinal enviado pela chave de um carro, para que possam roubar um carro sem arrombá-lo.
Outra preocupação de segurança entre os veículos modernos é o sistema de computador de bordo, também chamado de sistema de infoentretenimento. Os invasores podem enviar programas maliciosos para o sistema de computador do veículo, com potencial de prejudicar seu funcionamento e até mesmo manipulá-lo para causar acidentes.

Outra tecnologia que está sendo gradualmente trazida para a realidade é a Internet dos Veículos ou IoV, uma rede de carros e outros veículos que podem trocar dados pela internet. O objetivo é melhorar o transporte, tornando-o mais autónomo, seguro e eficiente.
O IoV pode posicionar o carro na rodovia, enquanto verifica constantemente o exterior identificar outros veículos, obstáculos, ruas, clima e monitorar outros fatores, que poderia permitir a condução sem condutor.
No entanto, como os automóveis permanecem ligados a uma rede, tornam-se ainda mais vulneráveis. Esses sistemas podem levar os ladrões a evoluir para hackers, em busca constante de vulnerabilidades.
Embora esta realidade possa parecer um pouco futurística, na verdade já está acontecendo, mas com outros tipos de ativos, os celulares. Nos centros urbanos do Brasil ladrões e ladrões agora fazem parcerias com hackers e técnicos capazes de desbloquear rapidamente os celulares mais avançados não apenas para poder revendê-lo, mas também para roubar seus dados e acessar contas bancárias e sacar o dinheiro de suas vítimas.
Expectativas
Os veículos roubados podem ser revendidos, usados em outros crimes ou desmontados para obter peças. Esse polivalente ajuda a explicar sua grande atratividade e o alto índice do país de 324 veículos subtraídos para cada 100,000 mil veículos em 2022. Por outro lado, o resultados trazidos pela política pública paulista, que regulamentou o mercado de peças usadas, dão esperança de melhorias no longo prazo.
A sociedade deve permanecer ciente dos novos fatores que podem alterar a dinâmica do mercado automóvel, levando a novos aumentos de casos, como uma nova tecnologia. Além disso, as possibilidades oferecidas pela os recursos digitais nos veículos são um importante ponto de venda para as montadoras e algo a que os clientes já estão acostumados, e eles estão aqui para ficar.
Portanto, o a indústria terá que começar a apresentar soluções para melhorar os recursos de segurança cibernética, enquanto os consumidores devem procurar proteção extra fornecida pelas garantias.
No entanto, medidas de segurança tradicionais, como rastreador GPS independente e cautela ao dirigir e estacionar, continuam essenciais. Além disso, os legisladores e as autoridades responsáveis pela aplicação da lei também terão de pensar à frente dos criminosos e preparar medidas para expandir as regras que funcionaram, como o que reprimiu a venda de peças roubadas em São Paulo. Eles também devem cooperar com empresas de comércio eletrônico para evitar a migração do mercado negro de peças automotivas para lojas online.



