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No Rio de Janeiro, expansão de áreas controladas por quadrilhas vem causando grandes prejuízos financeiros ao setor de energia. O problema é fruto de problemas socioeconômicos, ausência do Estado e presença de grupos criminosos. Em áreas extremamente pobres, onde o Estado e outras instituições não estão presentes, as gangues regulam tudo, inclusive a distribuição de energia, que é roubada de redes elétricas regulares e vendida para casas locais por criminosos por uma fração do valor real.
Um problema com muitos lados
O problema do furto de energia tem origem em questões socioeconômicas e de segurança pública. Nos últimos anos, o aumento da área controlada diretamente por grupos armados, como milícias e traficantes, tem impedido o funcionamento regular das empresas que fornecem energia para a cidade do Rio de Janeiro, a Light.
Ainda que o narcotráfico tenda a ser a principal fonte de renda desses organizações criminosas, muitas também controlam a distribuição de energia por meio de ligações clandestinas e dificultam a fiscalização da empresa autorizada e evitar roubos.
Na Região Metropolitana do Rio, áreas sob influência de grupos armados passaram de 8.7% em 2006 para 20% do território em 2021. Essa expansão representa um aumento de 131% na área sob controle, segundo pesquisadores do Grupo de Novas Ilegalidades, da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF).
Um problema nacional
O problema do furto de energia não está restrito ao Rio, cresceu em todo o país desde meados da década passada. Algumas distribuidoras de energia, como a distribuidora Amapá, e a Amazonas Energia, no Amazonas, enfrentam até problemas financeiros.
No topo da lista das concessionárias de energia mais afetadas por furto de energia, caso mais grave é no Amazonas. Em 2021, as perdas não técnicas, popularmente conhecidas como “gatos”, representou 122% da energia distribuída pela Amazonas Energia ao consumidor regular.
Perdas com furto de energia afetam consumidores e empresas. No caso de furto, hoje, 70% das perdas financeiras são repassadas para a tarifa do cliente regular, os outros 30% são assumidos pela distribuidora.
A agência reguladora Aneel, calculou que, em 2022, o prejuízo com furtos chegou a R$ 5 bilhões, que representa cerca de 3%, em média, do valor da tarifa paga pelo consumidor.
Fonte: EPBR.



