Este conteúdo é apenas para assinantes
Para desbloquear este conteúdo, assine Relatórios INTERLIRA.
Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) constatou aumento significativo do número de armas de fogo em circulação no país nos últimos dois anos, além da insegurança dos dados armazenados nos sistemas de controle. Na quarta-feira (30/11), as conclusões foram divulgadas, durante sessão plenária do tribunal. A auditoria foi realizada depois que o atual governo editou decretos que facilitaram o acesso a armas de fogo e munições.
O Objetivo
O objetivo da auditoria foi justamente verificar se houve aumento de novas armas registradas, além de fiscalizar os sistemas de controle e rastreabilidade administrados pela Polícia Federal e pelo Exército Brasileiro.
Aumento do Número de Armas de Fogo
A área técnica do TCU apurou que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021, houve aumento de 33.28% no número de armas registradas no Sinarm – um sistema de registro controlado pela Polícia Federal – que é equivalente para 366,587 novas armas registradas. No Sistema Sigma - controlado pelo Exército - o aumento foi de 200.83% no mesmo período, ou seja, 188,288 novas armas registradas. Um total de 554,875 novas armas de fogo adquiridas legalmente foram para as ruas.
Brechas e Falhas
Apesar do crescimento do número de armas de fogo em circulação, os auditores do TCU não conseguiram analisar possíveis impactos na segurança pública, pois, segundo os auditores, os dados de apreensão de armas de fogo guardados no Sinarm e os coletados pela Senasp não são confiáveis. Alguns outros problemas foram encontrados:
- Ainda não há regras para compartilhamento de dados existentes no Sinarm e Sigma e para confronto com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública
- Não há comunicação das secretarias estaduais de segurança pública sobre a apreensão de armas de fogo e há não há registro no Sinarm de transferências de propriedade, perda e roubo.
- A forma como o direito de porte de arma foi concedido a civis permite o porte de arma de fogo por 3 anos e nacional, qual seria em desacordo com o Estatuto do Desarmamento
Debate sobre a flexibilização do direito de aquisição de arma
A oposição política ao atual Governo Federal e alguns especialistas se posicionaram contra as leis que facilitaram o porte de arma no Brasil. Aqueles que se opõem às novas leis de armas mencionam vários casos de traficantes de armas que usam o sistema para comprar legalmente as mesmas armas de fogo e munições que trariam de outros países para abastecer traficantes de drogas e outros criminosos. Ainda por cima os produtos chegavam às mãos dos criminosos por uma fração do preço das armas compradas no exterior.
Outro risco que os especialistas destacaram é o da violência armada entre pessoas comuns. Muitos mencionaram o caso de ataques a escolas e outros locais públicos por atiradores ativos motivada por uma questão pessoal, diferenças políticas, problema psicológico e muito mais. Por exemplo, este ano foram registrados alguns ataques a escolas.
Além disso, o cenário político de crescente violência política seria uma grande fonte de potenciais incidentes. Recentemente, durante os protestos contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no quartel-general do Exército, em Brasília, um homem chamado Milton Baldin convocou os CACs – caçadores, atiradores e cobradores – para participar dos protestos que visavam impedir a inauguração.



