Dados divulgados recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) por meio do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 mostram que a chamada Amazônia Legal, na região Norte do Brasil, tem uma taxa de mortes violentas intencionais (IVD) 54% maior que o restante do país.
Uma década de violência crescente
Desde 2012, a Amazônia Legal registra índices de violência letal superiores à média nacional. Em 2022, mais de 8 mil pessoas foram vítimas de crimes violentos letais dolosos – categoria que inclui homicídios dolosos, roubos e lesões corporais seguidas de morte – na região. Naquele ano, a taxa de óbitos por 100,000 mil habitantes foi de 26.7 nos estados da Amazônia Legal, enquanto nos demais estados a taxa foi de 17.7.
De 2012 a 2022, a FBSP constatou que essa taxa cresceu, chegando a 33.8 IVDs por 100,000 mil habitantes. Enquanto isso, o país alcançou um total de 23.4.

Amazonas
Dentre os estados que compõem a Amazônia Legal, Amazonas teve a maior taxa de crimes violentos letais intencionais em 2022: 33.1 para cada 100,000 mil habitantes, totalizando 1,432 homicídios no ano.
Ação Policial
O índice de homicídios cometidos pela polícia também é maior na região da Amazônia Legal em relação ao restante do país. Enquanto o país tem média de 3.1 por 100,000 mil habitantes, a área acumula 4.2. De 2016 a 2021, houve um aumento de 71% na Amazônia e de 35% nos demais estados.
O Principal Propulsor da Violência na Amazônia Legal
Esse cenário de índices criminais muito elevados na Amazônia Legal é resultado da intensificação do tráfico local de drogas, que gerou disputas entre criminosos da região. A FBSP destaca que, segundo dados fornecidos pelo UNODC de 2021, e entrevistas com órgãos policiais, estima-se que 40% do volume de dinheiro que o tráfico de cocaína gera no país passe pelos estados da Amazônia Legal. E o volume não é pequeno, já que representa 4% do PIB brasileiro.
Dois fatores principais estão por trás desse cenário. Primeiro, a geografia da região, O Brasil faz fronteira com três dos principais produtores mundiais de drogas, principalmente cocaína: Bolívia, Peru e Colômbia. Essas fronteiras se tornaram importantes saídas de drogas que são enviadas para grandes mercados consumidores: Estados Unidos, Europa e África. O segundo fator foi o assassinato do importante traficante Jorge Rafaat em Pedro Juan Caballero, em 2016. Nessa época, o Primeiro Comando da Capital (PCC) alcançava o predomínio nas rotas utilizadas no Centro-Oeste brasileiro, impulsionando as atividades do Comando Vermelho (CV) para o Norte, onde surgiram novos conflitos com o PCC e as quadrilhas locais.
Fonte: Informe Especial – Segurança Pública e Crime Organizado na Amazônia Legal – Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Coordenação Geral: Renato Sérgio de Lima.
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023.



